Era uma casa “bien a gustito”, que é como quem diz bem ao agrado do líder do Podemos, quando Pablo Iglesias ali vivia em 2015. Nesse ano, a jornalista espanhola Ana Rosa Quintana passou 24 horas com o líder do partido de esquerda radical espanhol e a sua habitação causou surpresa.

O apartamento era modesto. Segundo o El Español, pertencia à tia avó de Pablo Iglesias, Rosalía Santa María Torremocha, que o deixou de herança à mãe do político, María Luisa Turrión. Com apenas 60 metros quadrados, a casa estava avaliada em 83 mil euros e ficava num prédio de quatro andares, situado no bairro madrileno de Vallecas.

O elevador do prédio era antigo e os móveis do interior da casa eram-no ainda mais: pertenciam ainda à primeira proprietária, dizia Iglesias à jornalista. Nas paredes, viam-se posters de filmes, entre eles “Pulp Fiction” e “Tempos Modernos”. Era bem diferente do chalé de luxo de 600 mil euros que Pablo Iglesias e porta-voz do Podemos, Irene Montero, compraram. A compra, feita com recurso a um empréstimo, provocou tanta polémica que a cúpula do Podemos decidiu entregar aos militantes do partido a decisão quanto à continuidade de Iglesas e Montero nos cargos de secretário-geral e porta-voz do Podemos.

A polémica levantada com a compra do chalé, que tem três quartos, duas casas de banho, uma lareira, um jardim, uma piscina e uma pequena casa de hóspedes, justifica-se pelas posições públicas de Pablo Iglesias e dos dirigentes do Podemos ao longo dos últimos anos. Há apenas três anos, por exemplo, Iglesias alertava os espanhóis para “o perigo dos políticos que vivem em chalés”, afastados da população e da classe trabalhadora.

Todo o discurso do líder do Podemos ao longo dos últimos anos foi construído em oposição a uma “casta”, ou elite, que comandava os destinos de Espanha. Há seis anos, o próprio Iglesias criticava políticos que compram casas de 600 mil euros. “Entregarias a política económica do país a quem gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?”, perguntava Iglesias num tweet, em 2012, referindo-se ao então ministro da Economia, Luís de Guindos.

Segundo o El Español, os vizinhos (“discretos”) dizem que o apartamento de Vallecas “continua a ser pago”. Alguns recordam Iglesias como “um rapaz normal”, outros não se lembram de ver o secretário-geral do Podemos no bairro durante a juventude. Pode ver as imagens da casa do líder do Podemos na fotogaleria que encerra este artigo.

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