Quando ao final da tarde Portugal entrar em campo, no estádio Fisht, terá entre as centenas de apoiantes portugueses o presidente da Assembleia da República. Tal como previamente combinado com Belém e São Bento, cabe a Ferro Rodrigues a representação institucional de alto nível no jogo de estreia da seleção nacional frente à Espanha. Marcelo assistirá à segunda partida e António Costa estará presente no último jogo de Portugal da fase de grupos.

Os três estarão na Rússia em momentos diferentes e vão estar em partes diferentes do mundo quando o árbitro Gianluca Rocchi der o apito de partida para o Portugal-Espanha. O Presidente da República fez constar da agenda pública que estará a partir das 18h30 no Arena Portugal, um espaço promovido pela Federação Portuguesa de Futebol, que foi instalado na Praça do Comércio em Lisboa, para acolher milhares de adeptos que queiram torcer pela seleção à distância. É lá que, desta vez, vai estar Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente segue depois para Moscovo, onde estará no dia 20 de junho para assistir à partida contra Marrocos. Nesse dia, e antes do jogo, Marcelo será recebido no Kremlin e tem uma reunião de cortesia com Vladimir Putin (a escassos dias de estar na Casa Branca com Donald Trump).

Já esta sexta-feira, se Ferro estará por Sochi e Marcelo por Lisboa, António Costa assistirá à estreia da seleção na fase final do Mundial 2018 em Newark, junto da comunidade portuguesa. O primeiro-ministro está a terminar uma viagem aos Estados Unidos da América, na sequência das celebrações do 10 de junho, e logo a seguir ao almoço, hora local, assiste ao jogo entre elementos da comunidade portuguesa no Sport Club Português de Newark.

Uma oportunidade informal para contactar de perto com portugueses emigrados nos EUA, antes de retomar a agenda institucional que logo a seguir vai levá-lo ao monumento dos veteranos luso-americanos, para depor uma coroa de flores e depois a Nova Iorque, onde participa num jantar de gala da Câmara de Comércio Luso-Americana.

António Costa só viaja para a Rússia mais perto do final do mês, e estará na Mordovia Arena, em Saransk, para assistir à derradeira partida da fase de grupos, frente ao Irão de Carlos Queiroz.

Depois da polémica, governo a mínimos no Mundial

Para além das três principais figuras do Estado, o Governo faz-se representar em todas as partidas. O secretário de Estado do Desporto deverá estar junto a Ferro Rodrigues, em Sochi. E em Moscovo, Marcelo Rebelo de Sousa deverá ter a companhia do ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues — o ministro com a tutela do Desporto. E é só. Uma representação minimalista, de pendor estritamente institucional.

O que não deverá acontecer desta vez é a presença de outros membros do governo nas bancadas, a convite de empresas. A memória do que se passou durante o Euro 2016 ainda está fresca e agora há um novo código de conduta aprovado em Conselho de Ministros, precisamente no rescaldo do chamado Galpgate .

A polémica estalou no verão de 2016, quando começaram a sair as notícias de que o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, tinha aceitado um convite da Galp para ir a França assistir ao jogo Portugal-Hungria. O governante viajou a bordo de um avião fretado pela empresa com um conjunto de convidados, quando já era público que as Finanças tinham um contencioso com a Galp, de mais de 100 milhões de euros, por causa da contribuição extraordinária sobre os ativos da energia– uma área tutelada pelo próprio Rocha Andrade.

Dias depois ficava a saber-se que também o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos e o da Internacionalização, Jorge Oliveira, tinham seguido na mesma viagem.

Todos foram exonerados, a pedido, e posteriormente constituídos arguidos, tal como o ex-assessor económico do primeiro-ministro, Vitor Escária. A investigação constituiu um total de 11 arguidos, incluindo o presidente e um administrador da Galp. Também os dois ex-líderes da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro e Hugo Soares, e um deputado da mesma bancada, Cristóvão Norte, foram apanhados na polémica, tal como os presidentes das câmaras de Sines e de Santiago do Cacém.

Na altura, o governo considerou que não tinha sido cometida nenhuma ilegalidade, e deu o assunto como encerrado depois de todos os ex-governantes terem garantido que iam reembolsar a empresa dos custos da viagem. Ainda assim, avançou para um Código de Conduta.

As novas regras, entretanto aprovadas, foram apresentadas como um “instrumento de auto-regulação” de natureza ética para membros do governo e dos gabinetes. O código impõe um limite de 150 euros para as ofertas de cortesia. E ficou proibida a aceitação de “convites de pessoas singulares e coletivas privadas, nacionais ou estrangeiras, e de pessoas coletivas públicas estrangeiras, para assistência a eventos sociais, institucionais ou culturais, ou outros benefícios similares, que possam condicionar a imparcialidade e integridade do exercício físico das suas funções”.