A Itália ameaçou que não ia (mas afinal vai), a Áustria já marcou mais uma cimeira, a Alemanha está dividida internamente e a Comissão Europeia não queria o encontro. No domingo, dois terços dos líderes da União Europeia reúnem-se em Bruxelas para uma mini-cimeira informal destinada a debater o tema mais espinhoso na agenda europeia, a imigração. As perspetivas de que de lá saia um acordo são quase nulas.

Angela Merkel convocou a cimeira e a primeira resposta chegou de Itália. O minstro do Interior, e líder de um dois partidos que formam o novo governo, disse de imediato que Itália devia boicotar. Matteo Salvini deu um passo atrás depois de receber um telefonema de Angela Merkel, no qual deixava cair a declaração conjunta que queria que os líderes aprovassem.

Na Alemanha, Angela Merkel está a começar a sentir as primeiras dores por ter dado mais poder ao seu parceiro da CSU na Baviera, Horst Seehofer, em troca de fazer uma coligação para formar governo na Alemanha. Agora Seehofer fez um ultimato à chanceler: quer que os imigrantes registados noutro país [europeu] sejam barrados à entrada na fronteira alemã, uma posição que Merkel tem rejeitado desde sempre.

A crise no governo alemão ainda não o é para já, mas as forças mais conservadoras na Europa não deixam antever um encontro pacífico. O primeiro-ministro austríaco, Sebatian Kurz, país que assume a presidência rotativa da União Europeia em breve, já marcou uma cimeira sobre imigração para setembro e a sua posição é, pelo menos, tão conservadora como a do ministro italiano Matteo Salvini.

A Itália contesta a atuação dos outros membros da União Europeia, dizendo que os restantes países deixaram o problema para os países do mediterrâneo, que acabam por ter os custos e o problema com os migrantes que chegam à costa.

A Grécia, com uma posição menos conservadora – e ainda a atravessar uma crise económica profunda – tem recebido uma das maiores fatias de refugiados nas suas costas, pelo que pretende mais apoio da União Europeia.

A recente aproximação das posições em relação à União Europeia entre Angela Merkel e o presidente francês, Emmanuel Macron, foi vista com bons olhos na Europa, mas os países cujos governos mudaram para executivos de forças políticas mais à direita e contra a imigração prometem não fazer a vida fácil.

A Comissão, que está há vários anos a tentar um acordo neste tema altamente sensível, acabou por provocar a hostilidade italiana, após se ter ficado a saber de um esboço do plano que as instituições queriam que os países acordassem nesta cimeira: um plano muito mais próximo das pretensões alemãs do que das italianas. Para já, a única vitória que Angela Merkel parece ter conseguido foi sentar os líderes à mesa.