KIA

18.400€ pelo novo Ceed. Um carro sério por um preço que faz rir

112

A Kia apresentou no Algarve o seu modelo mais europeu. Foi concebido na Europa, é cá produzido e só é vendido entre nós. Está mais atraente, sólido, equipado e divertido de conduzir. Mas o preço…

A 3ª geração do Ceed, o modelo mais importante da marca sul-coreana no mercado europeu e o segundo em Portugal – apesar do Stonic ameaçar ultrapassá-lo em breve –, é a proposta mais séria até agora apresentada pela Kia, posicionando-o de forma a concorrer, por direito próprio, com muitos dos concorrentes oriundos dos restantes fabricantes generalistas, sem se apoiar exclusivamente num preço particularmente competitivo que, contudo, continua a oferecer.

Mantém a denominação – na realidade apenas parcialmente, pois o anterior Cee’d perdeu o apóstrofo e passou a apenas Ceed, de Community of Europe with European Design –, mas tudo o resto é novo, da plataforma ao estilo, passando pela forma como as solicitações dos clientes foram integradas.

Como é por fora?

Peter Schreyer, o estilista da Kia e anteriormente “pai” do Audi TT, continua o bom trabalho na europeização do fabricante sul-coreano e este novo Ceed é disso um exemplo. Partindo de uma carroçaria mais baixa e larga, o que desde logo lhe confere um maior dinamismo, o novo familiar do segmento C reforça esta característica com uma frente mais comprida, fruto de ter recuado o pilar A (o frontal) 6,8 cm. Exibe também uma versão mais estilizada da tradicional grelha Tiger Nose da marca, mas agora mais baixa e rasgada, dando a sensação que o modelo é mais largo.

Os faróis podem ou não ser LED, mas deitam sempre mão a esta tecnologia para a assinatura luminosa, que mantém os quatro Ice Cubes do antigo Cee’d GT, mas nesta geração já não em baixo, mas em cima e integrados nos grupos ópticos. Com o mesmo comprimento e distância entre eixos, o novo Ceed revela uma traseira mais harmoniosa, onde os farolins são, também eles, mais baixos e largos – com a assinatura luminosa em LED a reforçar este aspecto –, contribuindo para a sensação de estarmos perante um modelo de dimensões superiores.

Grelha mais rasgada e carroçaria mais larga e baixa reforçam o carácter dinâmico do novo Ceed. A assinatura luminosa Ice Cubes passa a embelezar os grupos ópticos

Com a nova estética, o Ceed passa a ser um veículo muito mais atraente do que na geração anterior, que era adquirida mais por razões racionais do que emocionais, o que manifestamente deixa de ser o caso.

É divertido de conduzir?

O mais recente modelo da Kia troca a antiga plataforma K1 pela nova K2, que usa mais 27,2% de aço de alta resistência, o que explica a maior rigidez do chassi (30%), apesar da ligeira redução do peso.

Para o novo modelo, a Kia ouviu os seus clientes, ou melhor, as suas reclamações e foi exactamente sobre elas que trabalhou afincadamente. Assim, os condutores queixavam-se da direcção ser pouco precisa e da suspensão ser confortável, mas não muito dinâmica para quem gostava de conduzir um pouco mais depressa. Pois bem, os técnicos do Centro de Desenvolvimento na Europa, em Frankfurt, montaram uma direcção 17% mais directa, enquanto a suspensão da frente passa a ter barras estabilizadoras mais macias (22%) e amortecedores mais duros (40%). A suspensão traseira não foi esquecida e também aí há diferenças, sendo que as suas características foram revistas para resistir melhor às forças laterais em curva.

Depois de tudo estar definido em matéria de suspensão e chassi, a Kia tirou outra carta da manga e passou a permitir que os clientes possam optar por montar Michelin Pilot Sport 4, um dos pneus mais respeitados do mercado – se não mesmo a referência – no que respeita à aderência em curva e nas travagens. E, para provar isso mesmo, a marca montou uma pista de testes no Autódromo Internacional do Algarve, onde nos foi possível levar ao limite o Ceed com toda a segurança e verificar a eficácia do modelo com piso seco ou molhado, em diversas manobras de emergência e não só, pistas estas criadas com as dicas do sempre simpático (e muito rápido) piloto Filipe Albuquerque. E o resultado impressionou-nos francamente.

Os farolins posteriores mais baixas e largos reforçam a sensação de estarmos perante um modelo de maiores dimensões. A evolução estética é evidente

Em cidade, o Ceed revelou ser capaz de absorver as irregularidades sem beliscar o conforto e sem evidenciar ruídos parasitas, para depois em auto-estrada ser possível constatar a melhor insonorização face ao barulho da mecânica e do rolamento.

Mas é quando chegam as curvas que o Ceed dá provas de uma maior eficácia, fugindo menos de frente e obedecendo mais prontamente às solicitações do condutor. Não estando disponíveis as versões desportivas – uma vez que a GT line e a GT, com motor de 200 cv, só surgirão em Janeiro –, o Ceed com as motorizações menos potentes revelou estar à altura de uma condução mais ousada, caso seja essa a vontade de quem vai aos comandos.

O equipamento melhorou ou nem por isso?

Se o Ceed evoluiu por fora, o habitáculo não lhe ficou atrás. Não ao nível do espaço para os passageiros, onde não pareceu que existisse diferenças evidentes face à geração anterior, mas da bagageira, que ganha 15 litros e continua a ser das maiores do segmento, com 395 litros. Os materiais são mais agradáveis à vista e ao tacto, sempre com plásticos macios, surgindo o topo do tablier com uma imitação de pele com pespontos que eleva ainda mais a sensação de qualidade a bordo. É claro que nem tudo são rosas, pelo que o revestimento interior dos pilares é em plástico duro, que também é utilizado nas portas traseiras.

Em matéria de equipamento, o Ceed dá novo salto em frente. O controlo de estabilidade ESC e a gestão de estabilidade do veículo (VSM) passam a integrar de série todas as versões, à semelhança da vectorização do binário por acção dos travões (TVB), que trava as rodas do interior das curvas para facilitar a introdução do veículo nas trajectórias e evitar que fuja de frente.

No interior surge, ao centro da consola, em cima, um ecrã que tanto pode ter 7 polegadas como 8, consoante as versões, sendo a partir daqui que é possível controlar as funções de infoentretenimento do modelo, via Android Auto ou Apple CarPlay.

Para os melómanos a Kia disponibiliza um sistema de som da JBL Premium, enquanto a solução keyless facilita o acesso apenas com a chave no bolso. Disponíveis estão ainda dois modos de condução, o Normal e o Sport, com este último a alterar a sensibilidade da direcção e do acelerador. Integrado na opção ECO Pack, surge o Active Air Flap, que fecha as entradas de ar para o motor quando a refrigeração não é necessária, melhorando o Cx e, com ele, os consumos.

Airbags há sete e as ajudas ao condutor são inúmeras, do assistente de máximos aos destinados a determinar quando o condutor não está atento, passando pelo que mede a distância ao carro da frente para impedir os embates e o Lane Keeping Assist, que mantém o carro na faixa de rodagem. Contudo, este sistema que impede o veículo de sair da faixa em que circula, só lida bem com curvas mais abertas e não mantém o veículo na zona central da faixa de rodagem.

A Kia anuncia também o Lane Following Assist, que classifica como um sistema de condução autónoma de Nível 2 (ou seja, semi-autónomo e o único a ser actualmente legal), que funciona entre 0 e 130 km/h, mas que não tivemos oportunidade de testar. Disponível está igualmente o Smart Cruise Control, com função Stop&Go, o avisador de veículo no ângulo morto e de aproximação de tráfego durante as manobras em marcha-atrás, além de um sistema para evitar embates frontais e o Smart Park Assist. Mas talvez que um dos items mais valorizados continue a ser os sete anos de garantia, ou 150.000 km, que promete reduzir consideravelmente os custos de manutenção, ou permitir a venda do veículo, passados uns anos, e ainda na garantia.

E quanto a motores?

A oferta em termos de motorizações inclui de momento apenas opções a gasolina e diesel, com Portugal, entre os motores a gasolina, a propor dois blocos e ambos sobrealimentados. O mais acessível é o já conhecido 1.0 T-GDI de três cilindros e 120 cv, com a versão mais potente a surgir pela mão do novo 1.4 T-GDI, já com quatro cilindros e 140 cv.

Para quem prefira os motores a gasóleo, o Ceed oferece duas versões do 1.6 CRDI, com 115 ou 136 cv, sendo que estas motorizações, se bem que com características similares às da geração anterior, são na realidade novas, dada a necessidade de colocá-las em conformidade com as novas exigências do WLTP. E, como se isto não bastasse, houve também a necessidade de as preparar para a electrificação que vem aí.

Começámos por conduzir o Ceed com motor 1.0 T-GDI de 120 cv o que vai ser mais barato entre nós. A sonoridade é a característica dos três cilindros e, como também é habitual nesta solução, não aprecia particularmente funcionar abaixo das 1.700 rpm. Mas a partir daí, é sempre a andar. Responde com ânimo ao acelerador e chegaria aos 190 km/h, caso o respeito pelos limites de velocidade – e o pânico de ser multado – não nos aconselhasse alguma (muita) prudência. A uma velocidade civilizada, ou seja, 120 km/h em auto-estrada, conseguimos consumos de 5,6 litros/100 km, um valor que não anda muito longe do atingido pelos turbodiesel, substancialmente mais dispendiosos. É claro que se trocarmos o ritmo civilizado por outro mais dinâmico, o consome sobe de forma mais expressiva do que acontece nos turbodiesel, com o mesmo incremento de ritmo. Também conduzimos o 1.4 T.GDI, que  é ligeiramente mais potente, mas tem sobretudo mais força a baixos regimes, o que o torna mais agradável de utilizar.

Em termos de motores diesel, não tivemos oportunidade de conduzir a versão turbodiesel de 115 cv, mas o 1.6 CRDI de 136 cv, associado à caixa de dupla embraiagem 7DCT, revelou-se uma agradável surpresa. O consumo mínimo baixou para 4,8 litros, o ruído é agora menor do que anteriormente, devido à maior quantidade de material insonorizante, com a caixa de sete velocidades a revelar-se muito suave e progressiva em regime automático.

Preços e para quando mais novidades?

O novo Kia Ceed chega a Portugal dentro de dias, mais precisamente na primeira semana de Julho, com os já mencionados motores a gasolina e diesel. O Ceed mais acessível é o 1.0 T-GDI de 120 cv, proposto por 18.440€, já com a promoção inerente à campanha de lançamento de 4.500€. Se é fã dos diesel, então é bom saber que o 1.6 CRDI de 115 cv será comercializado por 23.140€. o que dá ao familiar de cinco portas da Kia uma vantagem importante sobre a concorrência – tanto a diesel como a gasolina –, o que neste caso inclui toda a gente deste segmento. Isto fará as delícias de quem procura um carro novo, tanto que a vantagem do Ceed sobre alguns dos mais directos adversários é de levar às lágrimas… de tanto sorrir.

O Ceed vai estar disponível nas versões SX, a mais simples, mas já com todo o equipamento de que a maioria dos condutores não abre mão, e a TX (aquela que a marca pensa vir a ser a mais procurada, apontando para 50% da procura). Para ter o Ceed em versão GT Line ou GT, com motor de 200 cv, é necessário esperar por Janeiro do próximo ano.

De salientar que o Ceed poderia ser 1.500€ mais barato, caso tivesse inicializado as vendas há dois ou três meses, pois agora e já de acordo a norma WLTP (convertida para aquilo que se convencionou designar NEDC2), implica um incremento de imposto que se aproxima dos 10 a 15%.

Se pretende versões mais amigas do ambiente, é bom saber que no início de 2019 vai surgir primeiro o 1.6 CRDI turbodiesel em versão Mild Hybrid a 48V, em que um motor de 10 kW (13,6 cv) é alimentado por uma pequena bateria de 0,4 kWh, o suficiente para baixar em cerca de 0,5 litros o consumo médio, com vantagens para o ambiente e… fiscais. Mais tarde, ainda em 2019, surgirá o 1.4 T-GDI de 140 cv Mild Hybrid a 48V, com os mesmos argumentos, confirmando a vontade da Kia electrificar a totalidade da sua gama.

O recuar do pilar A torna a frente mais longa, o que dá um carácter mais dinâmico ao modelo da Kia. Contudo, não belisca o espaço no habitáculo e muito menos na mala, que cresce para continuar a ser das maiores do segmento

Quanto a versões, a carrinha Ceed SW vai chegar em Outubro de 2018, com uma mala de perder de vista e os mesmos argumentos da versão de cinco portas, enquanto a versão mais cobiçada, o elegante Shooting Brake, uma carrinha ainda mais elegante, onde o estilo tem a prioridade sobre a função, será revelada antes de final do ano, mas não estará disponível para os clientes antes do início de 2019.

Pesquisa de carros novos

Filtre por marca, modelo, preço, potência e muitas outras caraterísticas, para encontrar o seu carro novo perfeito.

Pesquisa de carros novosExperimentar agora

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: alavrador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)