Dívida Pública

Depois da China, o ambiente. O que são as Green Bonds de que fala Mário Centeno?

Portugal está a preparar-se para emitir dívida em moeda chinesa na China e está a estudar a possibilidade de avançar também com a emissão de Green Bonds, diz o ministro. Mas que dívida é esta?

Getty Images

Depois das Panda Bonds, pode estar a chegar a altura das Green Bonds. O Governo continua a tentar encontrar diferentes formas de se financiar nos mercados e, segundo o ministro das Finanças esta quarta-feira no Parlamento, estará agora a olhar para uma (não tão) nova forma de conseguir mais dinheiro emprestados nos mercados, as Green Bonds. Mas o que são estas ‘obrigações verdes’?

Na gestão da dívida pública de um país, especialmente de um país com uma dívida muito elevada como é o caso de Portugal, qualquer poupança é bem-vinda. Para já, segundo Mário Centeno, a agência que gere a dívida pública portuguesa já está a finalizar o processo para emitir as chamadas Panda Bonds, obrigações de dívida em moeda chinesa emitidas no mercado chinês por países estrangeiros.

Outra opção que estará a ser estudada, de acordo com o governante, são as chamadas Green Bonds, ou obrigações verdes. Mas este tipo de empréstimo que Portugal está a ponderar vir a pedir aos investidores tem características um pouco diferentes das obrigações normalmente usadas.

Para começar, na sua finalidade. Quando um governo emite dívida é avaliado pela sua capacidade de a pagar de volta, mas não para o que pensa utilizar o dinheiro. Os investidores aceitam emprestar ao Estado em causa a uma taxa de juro consoante o risco de este empréstimo poder vir a não ser pago.

No caso das Green Bonds, a finalidade é conhecida à partida. O investidor sabe qual é o projeto para o qual está a emprestar dinheiro (seja o investimento inicial o refinanciamento de dívida desse projeto), sabe que esse é um projeto ambientalmente sustentável ou com o objetivo de combater as alterações climáticas – como o investimento em energias renováveis.

A transparência é uma das grandes diferenças deste tipo de dívida. Ao contrário das restantes obrigações, o investidor sabe exatamente no que está a investir, sabe que objetivos o projeto tem e tem a possibilidade de acompanhar o seu desenvolvimento.

Para alguns investidores que têm limitações no tipo de projetos em que pode investir, como é o caso do fundo soberano da Noruega, esta transparência é bem-vinda e pode marcar a diferença na hora de investir.

O Banco Europeu de Investimento foi a primeira a instituição a emitir este tipo de obrigações há 11 anos, e desde então o mercado tem vindo a crescer de forma significativa, apesar de este mercado ainda ser uma fração do mercado de dívida. De 2016 para 2017, por exemplo, a emissão deste tipo de dívida cresceu 78%, de acordo com a Climate Bonds Initiative, atingindo os 155,5 mil milhões de dólares.

Estados Unidos, China e França emitiram mais de metade desta dívida no ano passado, que é usada maioritariamente em projetos de energia renovável, eficiência energética, água potável, uso sustentável dos solos e gestão de resíduos, e conservação da biodiversidade.

Há já vários projetos em curso financiados por este tipo de obrigações, que também podem ser emitidas por cidades, como já é o caso de Gotemburgo, na Suécia, ou por regiões, por exemplo os Estados norte-americanos do Hawaii e do Massachusetts. Entre estes projetos estão centrais de produção de energia solar de Andasol, em Espanha, ou campos de produção de energia eólica na Alemanha, Estónia, Holanda e Quénia.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Crónica

O regresso do Rei

Luis Teixeira

Os professores acreditam que os 9 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço congelado hão-de sair do nevoeiro da dívida e os enfermeiros, que os 68% de aumento hão-de chegar com a maré. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)