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Ninguém consegue ficar indiferente a Cristiano Ronaldo e à transferência milionária protagonizada pelo melhor do Mundo, que trocou o Real Madrid pela Juventus a troco de 100 milhões de euros (mais uns pozinhos, que advêm dos mecanismos de solidariedade que ainda irão beneficiar o Sporting). O negócio foi confirmado e, antes de aterrar em Turim, os efeitos do português já se fazem sentir na cidade italiana. Mas, desta feita, os motivos não são os melhores.

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A Unione Sindacale di Base (Sindicato dos Trabalhadores) comunicou que os trabalhadores da FIAT convocaram uma greve devido à transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus, clube detido pela família Agnelli, que também é dona da conceituada marca de carros italianaEm causa estão os valores envolvidos na transferência do astro português para a Vecchia Signora.

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“Não é aceitável que os trabalhadores continuem a fazer enormes sacrifícios económicos enquanto a companhia gasta milhões de euros num jogador”, começa por referir a Unione Sindacale di Base no seu comunicado, perguntando: “É normal uma pessoa ganhar milhões, enquanto milhares de famílias a meio do mês já não têm quase dinheiro?”.

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“A companhia deveria colocar os interesses dos seus empregados em primeiro lugar. Se isso não acontece, é porque preferem o mundo do futebol e entretenimento a tudo o resto”, atira a Unione Sindicale di Base, antes de anunciar uma greve na fábrica de Melfi (situada a cerca de 990 km da cidade de Turim) entre as 22 horas de domingo, 15 de julho, e as 18 horas de terça feira, 17 de julho.

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De recordar que esta é uma greve que aguardava apenas a confirmação da transferência de Ronaldo. Isto porque, já na semana passada, quando o negócio não passava de um rumor, a agência DIRE dava conta da insatisfação dos trabalhadores da FIAT, que estão há uma década sem receber qualquer aumento. “Depois de Higuaín, também Ronaldo? É uma vergonha. Os trabalhadores da Fiat não foram aumentados nos últimos dez anos. Nesse período, houve uma inflação de 10,7%”, disse Gerardo Giannone, trabalhador da unidade de produção de Pomigliano D’Arco, em declarações à agência DIRE, recordando também os cinco milhões de euros que a FCA (Fiat Chrysler Automobiles) gastou numa publicidade de 30 segundos durante o Super Bowl.

No Twitter, as reações não se fizeram esperar e são vários os cibernautas do lado dos trabalhadores da Fiat.

https://twitter.com/luisbento37/status/1015378985369460737

Há até quem sugira uma forma de amenizar a revolta dos trabalhadores:

Leia o comunicado da Unione Sindicale di Base na íntegra:

“Não é aceitável que os trabalhadores continuem a fazer enormes sacrifícios económicos enquanto a companhia gasta milhões de euros num jogador.

Eles dizem às famílias para apertarem cada vez mais o cinto e decidem investir tanto dinheiro num jogador. Acham isso justo? É normal uma pessoa ganhar milhões enquanto milhares de famílias a meio do mês já não têm quase dinheiro? Estamos todos dependentes do mesmo dono e esta diferença de tratamento não pode continuar.

Os trabalhadores da Fiat deram uma fortuna aos patrões nas últimas três gerações, mas em troca foram recompensados com uma vida de miséria. A Fiat deveria investir em novos modelos que garantem o futuro de milhares de pessoas, em vez de enriquecerem apenas uma pessoa. Esse é que deveria ser o objetivo.

A companhia deveria colocar os interesses dos seus empregados em primeiro lugar. Se isso não acontece, é porque preferem o mundo do futebol e entretenimento a tudo o resto.

Pelas razões acima descritas, o Sindicato declarou uma greve na fábrica de Melfi entre as 22 horas de domingo de dia 15 de julho e as 18 horas de terça-feira, dia 17 de julho”