Há exatamente dois anos, no dia 10 de julho de 2016, Cristiano Ronaldo caiu lesionado no Saint-Denis de Paris, viu Éder ser mais forte do que Koscielny e ser o herói improvável, chorou de braços abertos e face virada para o céu e levantou o troféu de campeão da Europa: o primeiro e até agora único que conquistou com a camisola da Seleção Nacional. Exatamente dois anos depois, Cristiano Ronaldo volta a ser o assunto do dia.

É caso para dizer que é a crónica de uma transferência anunciada. A 26 de maio, depois de conquistar mais uma Liga dos Campeões – a terceira consecutiva, quarta em cinco anos e quinta da carreira -, Cristiano Ronaldo foi, na entrevista pós-jogo, o protagonista que não conseguiu ser durante os 90 minutos do jogo com o Liverpool. Ainda no relvado de Kiev, atirou: “Foi muito bonito jogar no Real Madrid”.

A capital espanhola entrou em choque. Fizeram-se capas de jornais, especulou-se sobre os motivos para a saída, apontou-se que o futuro certo passava pelo PSG (e ainda se ponderou uma eventual troca por troca com Neymar).

Já no Santiago Bernabéu, durante a celebração da conquista de mais uma Liga dos Campeões, Ronaldo descansou os adeptos. Despediu-se com um “até para o ano” e as declarações do dia anterior pareciam ter sido apenas um susto. Com o passar dos dias, das semanas, do mês, os rumores avolumaram-se e percebeu-se que o capitão português estava mesmo de saída de Madrid. A dúvida, essa, era clara: para onde?

O PSG era o principal candidato. Logo a seguir, um romântico regresso ao Manchester United pareceu ganhar sentido. Por fim, uma candidata improvável: a Juventus. A campeã italiana surgia como uma possibilidade forte e a aposta em Cristiano Ronaldo era claramente uma aposta em igual medida na conquista da Liga dos Campeões, troféu que há muito escapa ao emblema de Turim.

Cristiano Ronaldo foi para a Rússia, jogou o Mundial, foi de férias depois da eliminação e permaneceu calado sobre todos os rumores. O Real Madrid cedeu e baixou a milionária cláusula de rescisão – dos originais 1.000 milhões, Ronaldo custava agora “apenas” 100 milhões. As exceções à regra eram o PSG e o Barcelona, que teriam de pagar o valor inicial.

Esta terça-feira, a novela terminou. A troco de 100 milhões de euros, Cristiano Ronaldo vai mesmo trocar Madrid por Turim, o Santiago Bernabéu pelo Allianz Stadium e os merengues pela Vecchia Signora. Tudo começou com um jato privado: de Pisa até Kalamata.

A viagem do presidente da Juventus até à Grécia

Na manhã desta terça-feira, Andrea Agnelli, o presidente da Juventus, embarcou num jato privado a partir do aeroporto de Pisa. O destino: Kalamata, no sul da Grécia, onde Cristiano Ronaldo está a passar férias com a família. O objetivo era reunir-se com o jogador português e acertar os últimos detalhes da transferência mais badalada deste verão.

A certeza dos espanhóis: a confirmação estava por horas

Pouco depois das notícias sobre a viagem de Agnelli, os jornais espanhóis avançaram que Real Madrid e Juventus tinham finalmente chegado a acordo sobre a transferência de Cristiano Ronaldo. O desportivo Marca garantia que a confirmação oficial estava presa por horas. De espanhóis e italianos, contudo, nada se sabia. As dúvidas sobre o valor oficial permaneciam: alguns jornais afirmavam que o jogador português custaria 100 milhões de euros à Juventus, enquanto que outros chegavam aos 120 milhões. O português Record noticiava 105 milhões de euros pelo negócio. A duração do contrato e o salário de Ronaldo, esses, eram consensuais – quatro anos de vínculo e 30 milhões de euros líquidos por ano.

O comunicado do Real Madrid

Pouco passava das 16h30 quando a confirmação oficial chegou. Através de um comunicado partilhado no site oficial e difundido nas redes sociais, o Real Madrid confirmava a saída de Cristiano Ronaldo. Sem desvendar os pormenores da transferência, o clube merengue agradecia ao jogador português por todos os contributos e sublinhava que aceitou a venda “atendendo à vontade e pedido expressos” por Ronaldo.

A carta de despedida de Cristiano Ronaldo

Poucos minutos depois do comunicado oficial, o Real Madrid difundia a longa carta despedida de Cristiano Ronaldo. O jogador português reiterou que a transferência se realizou a seu pedido, algo que terá sido crucial para o desenvolvimento no negócio: “Creio que chegou o momento de abrir uma nova etapa na minha vida e por isso pedi ao clube que aceitasse vender-me”.

O avançado português agradeceu “ao clube, ao presidente, aos dirigentes, aos companheiros, a todos os técnicos, médicos, fisioterapeutas e funcionários incríveis”. “Saio, mas esta camisola, este emblema e o Santiago Bernabéu continuarão a ser sempre sentidos por mim como algo meu, esteja onde estiver”, escreveu Ronaldo.

As reações à saída: do lado de Madrid e do lado de Turim

Pouco depois da confirmação do Real Madrid e da carta de despedida do jogador, as reações de antigos colegas e futuros companheiros de equipa começaram a desdobrar-se nas redes sociais. Do lado de Madrid, o capitão merengue Sergio Ramos foi um dos primeiros a despedir-se. “Foi um prazer jogar contigo, bicho”, escreveu o internacional espanhol. Toni Kroos, Marco Asensio, Arbeloa e Nacho foram alguns de muitos outros companheiros de balneário em Madrid que se despediram de Cristiano Ronaldo.

Do outro lado do negócio, em Turim, Sami Khedira fez questão de saudar o jogador português: com quem já se tinha cruzado, precisamente, no Real Madrid. O argentino Paulo Dybala também deu as boas vindas a Ronaldo, assim como o histórico da Juventus Alessandro Del Piero, que classificou a ida para Itália como “a melhor escolha”.

O último capítulo. A confirmação da Juventus

Depois da oficialização do Real Madrid, da carta de despedida, das reações, só restava um pormenor: a confirmação, por parte da Juventus, da chegada de Cristiano Ronaldo. A Vecchia Signora fê-lo através do Twitter, partilhando uma imagem onde fica praticamente claro que Cristiano Ronaldo vai usar a camisola 7 em Turim (em detrimento do colombiano Juan Cuadrado).

Numa nota breve, a Juventus desvendou ainda que Cristiano Ronaldo custou 100 milhões de euros (mais 12 para o contributo de solidariedade previsto pela FIFA – ou seja, ainda vao chegar dinheiro ao Nacional da Madeira, ao Sporting e ao Manchester United, bem como encargos assessórios) e assinou por quatro temporadas, até 30 de junho de 2022.