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Mistério. Esquiador identificado 64 anos depois de desaparecido

Este artigo tem mais de 4 anos

Polícia italiana encontrou equipamento de esqui dos anos 50, um relógio francês e restos mortais de um homem As redes sociais ajudaram a juntar um nome ao esquiador que morreu nos Alpes em 1954.

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Em 2005, a polícia italiana encontrou, no Vale de Aosta em plenos Alpes, um equipamento de esqui dos anos 50, uns óculos, restos de roupa e também um relógio junto dos restos mortais de uma pessoa. Os anos seguintes foram de investigação, tentar ligar os objetos que tinham encontrado a um nome, uma família, encontrar alguém que pudesse saber quem era o misterioso esquiador que morrera nos Alpes, sozinho, a 3.100 metros de altitude.

A tarefa parecia impossível tendo em conta o tempo que passara desde o suposto acidente que tirou a vida ao esquiador. A polícia forense de Turim conseguiu chegar a algumas das características da pessoa encontrada, mas não havia correspondências com ninguém dado como desaparecido, nem em Itália, nem além fronteiras. Não havia nada a perder, a polícia divulgou o caso através das redes sociais e, daí, o caso saltou para a comunicação social, chegando a França e, ao fim de 64 anos, a um nome.

No que sobrava de uma camisa verde estavam o que pareciam ser as iniciais M.M., a roupa pertenceria a um homem de cerca de 30 anos, com 1,75 m de altura, com posses, com prática de esqui e míope. A análise do ADN permitiu chegar às características físicas. Os óculos permitiram perceber que o homem era míope do olho direito. E o relógio Omega, os esquis Rossignol Olympique numéro 7200-210, os bastões de metal (equipamente de luxo na década de 50), a camisa fabricada numa alfaiataria francesa com iniciais bordadas à mão ajudavam a especular sobre o estilo de vida. Mas o nome continuava por aparecer, por isso a polícia do Vale da Aosta pediu ajuda a quem anda pelas redes sociais: “Infelizmente, apesar do grande trabalho feito, o mistério permanece. Por isso espalhem a notícia, falem com quem que tenha mais uns anos, quem sabe possa saber alguma coisa de útil. Nunca diga nunca…”

O post é de há um mês apenas, mas as partilhas e também as notícias que suscitou — que chegaram aos meios de comunicação franceses — permitiram que se chegasse a Emma Nassem. Francesa a viver em Paris, Emma estava com o rádio ligado enquanto conduzia quando ouviu aquela história nas notícias e se lembrou do seu tio, desaparecido em 1954. Contactou a polícia italiana a explicar que o seu tio Henri Joseph Leonce La Masne tinha desaparecido durante uma forte tempestade nos Alpes naquele ano.

Seguiram-se mais testes de ADN, desta vez para aferir a compatibilidade genética entre o misterioso esquiador e o pai de Emma, de 95 anos, que seria o irmão mais novo de Henri. Os peritos recolheram saliva de Roger e estava confirmada a identidade dos restos mortais que estiveram enterrados na neve nos últimos 64 anos. O dia do seu desaparecimento foi precisamente aquele em que completou os 35 anos, foi a última vez que foi visto no hotel onde estava hospedado na região onde terá caído a esquiar, tendo morrido.

Num mail partilhado pela polícia italiana, Roger descreveu o irmão como “um solteiro” e “bastante independente” que trabalhava, nessa altura, no Ministério das Finanças, em Paris. Era um amante de esqui. A polícia italiana depressa deu nota da descoberta no mesmo sítio onde ela se iniciou, no facebook. Num post com a fotografia de Henri, a polícia apresentou ao mundo “o Senhor Henri Joseph Leonce La Masne. É ele o esquiador cujos restos mortais foram encontrados em 2005 no Vale de Aosta”. E agradecia às redes sociais: “É precisamente por mérito vosso que e das vossas inúmeras partilhas e à viralidades das redes sociais que conseguimos chegar a uma rádio francesa e a Emma, sobrinha-neta do senhor Henri que, tendo ouvido a notícia quando ia a conduzir, pensou logo que podia ser o seu tio”.

A polícia ainda colocou um esclarecimento adicional, já que muitos dos seguidores perguntavam pela falta de correspondência num dos dados: as tais inicias M.M. bordadas à mão na camisa. Não devia ser H.M.? “O tecido não permitia uma leitura segura”, justifica a polícia que também diz que a sobrinha-neta sugeriu que talvez se tratasse de um H. de “Henri” e um M. de “Masne”. “Ou talvez ‘Monsieur Masne'”, conclui a polícia.

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