Artigo publicado originalmente no dia 11 de agosto, aquando a primeira tentativa de lançamento da sonda.

Parecia estar tudo a postos para o lançamento da sonda que vai estudar o Sol nos próximos sete anos, mas há problemas que só se detetam quando o foguetão está em contagem decrescente para a descolagem. Foi o que aconteceu este sábado. Este domingo há uma nova tentativa e pode vê-la, aqui, em direto.

O lançamento de sábado, tal como o deste domingo, estava previsto para pouco depois das 3h30 (8h30, hora de Lisboa), mas a contagem teve de ser interrompida. Foi reiniciada mais tarde, para logo depois parar novamente. Entre os momentos de espera em que se tentavam resolver os problemas técnicos detetados esgotou-se a janela de oportunidade para o lançamento. Este domingo há mais 60 minutos para tentar.

Além dos problemas técnicos, a meteorologia também pode fazer cancelar o lançamento, mas até dia 23 de agosto haverão mais oportunidades. Depois disso é que não. A Sonda Solar Parker tem como primeiro destino Vénus — onde deve chegar em seis semanas — e passado o dia 23 de agosto já não é possível alcançar o planeta.

Porquê uma missão ao Sol?

Estudamos o Sol há tantas dezenas de anos que seria de esperar que já soubéssemos tudo sobre a estrela que garante que há vida no planeta Terra. Mas a verdade é que apesar de já terem sido feitas tantas observações a partir da Terra e do espaço, ainda existem questões fundamentais por resolver. Questões cuja resposta só pode ser encontrada se metermos os olhos no local, que é como quem diz: se mandarmos uma sonda espacial até lá. É esse o objetivo da Sonda Solar Parker que vai ser enviada para o espaço: ver o que acontece na atmosfera do Sol.

“Existem algumas perguntas sobre o Sol que são um mistério para qual ainda não temos resposta. Podemos observá-lo a partir da Terra, mas temos de ir ao local onde esse mistério acontece se queremos encontrar as respostas”, diz ao Observador James Spann, responsável pela Divisão de Heliofísica na sede da NASA.

Está previsto que a Sonda Solar Parker seja lançada este sábado, às 3h53 (8h53, hora de Lisboa), a partir do Cabo Canaveral, na Flórida (Estados Unidos). Se todos os equipamentos estiverem a funcionar perfeitamente, será a meteorologia a determinar o sucesso do lançamento. Se o lançamento não for concretizado, haverá outras possibilidades até 23 de agosto, mas depois disso Vénus, que vai dar uma ajuda na missão, fica fora do alcance.

Sabemos intuitivamente que quanto mais nos afastamos de uma fogueira, menos calor sentimos. Mas, na atmosfera do Sol, quanto mais longe da superfície solar maior é a temperatura. Sabe-se que é assim desde 1939, mas até agora ainda não foi possível resolver este mistério.

Nos anos 1950, Eugene Parker — que agora deu nome à sonda — verificou que a coroa (parte exterior da atmosfera) estava tão quente que se expandia continuamente até se escapar da ação da gravidade do Sol, provocando aquilo que chamou de ventos solares. Esses ventos são acelerados em alguma parte da atmosfera solar, mas ainda não se conhece o mecanismo. E esse é o segundo mistério que a Sonda Solar Parker quer resolver.

“Comecei por pensar na coroa em termos de dinâmica de fluídos e assim que escrevi as equações cheguei à ideia dos ventos solares. Foi assim tão simples”, explicou Eugene Parker numa entrevista conduzida por Nicola Fox, a responsável pela sonda solar.

Para conseguir chegar ao Sol, a sonda vai ter de: primeiro, fugir da força gravítica da Terra que a puxa em direção ao chão; depois, contrariar o movimento da Terra em torno do Sol — a Terra vai para um lado, mas a sonda tem de ir para o outro se quer mergulhar no interior do sistema solar e apanhar o Sol. Será preciso 55 vezes mais energia para ser lançada em direção ao Sol do que se fosse para Marte. Por isso se escolheu um dos mais potentes foguetões, o Delta IV Heavy.

Editado justificação da escolha do foguetão Delta IV Heavy no dia 12 de agosto.