Exploração Espacial

Lançamento da sonda solar adiado para domingo

A janela de oportunidade para o lançamento da sonda são 65 minutos e começou às 8h33. Não sendo lançado este sábado, haverá outras oportunidades até dia 23 de agosto. O importante é não perder Vénus.

O lançamento tem de ser feito numa janela de oportunidade pequena para se poder chegar ao destino certo

NASA

“Clear to proceed. You have permission to launch.”

Hold, hold, hold.”

Estava tudo preparado e o relógio estava em contagem decrescente, mas foi interrompido novamente. A janela de oportunidade para lançar a sonda este sábado chegou ao fim antes de o foguetão descolar e o lançamento foi adiado para este domingo, ou para segunda-feira, tudo depende de conseguirem consertar a avaria identificada.

O lançamento da Sonda Solar Parker, a partir do Cabo Canaveral (Flórida, Estados Unidos), estava previsto para as 3h33 (8h53, hora de Lisboa) com uma janela de oportunidade de 65 minutos. O relógio teve de ser interrompido quando faltavam apenas quatro minutos para o lançamento para resolver os problemas que foram identificados na reta final do lançamento. Foi reiniciado por volta das 9h24, mas parou dois minutos depois e voltou atrás (aos quatro minutos). O lançamento foi adiado por cerca de 24 horas.

Uma janela de tempo tão pequena deve-se ao facto de o primeiro destino da sonda ser Vénus — e não se quer passar ao lado do destino. Além disso, é preciso reduzir a exposição da sonda ao Cinturão de Van Allen que lhe poderia causar danos. Este cinturão é uma região de partículas carregadas, transportadas pelos ventos solares, que são capturadas pelo campo magnético da Terra.

Enviar uma sonda em direção ao Sol tem vários desafios, sendo o primeiro contrariar o movimento da Terra. O nosso planeta descreve uma órbita em torno do Sol e qualquer objeto lançado para fora da atmosfera terá tendência para seguir essa trajetória. E se assim fosse, a Sonda Solar Parker nunca chegaria ao destino. Mas para contrariar esta força é preciso muita energia. Na verdade, é preciso 55 vezes mais energia para lançar uma sonda para o Sol do que para Marte. A escolha do potente foguetão Delta IV Heavy justifica-se pela necessidade de impulsão da sonda e pela capacidade para acomodar um terceiro sistema de propulsão que a sonda vai usar assim que esteja fora da atmosfera terrestre.

O primeiro destino da sonda será Vénus. Não que a sonda precise de ganhar impulsão, como acontece com a assitência que outras sondas procuram junto dos planetas. Neste caso, Vénus vai ajudar a sonda a abrandar a velocidade para conseguir viajar em direção ao Sol. Durante o período de sete anos previsto para a missão, a Sonda Solar Parker vai passar sete vezes junto a Vénus e isso vai permitir que faça uma órbita cada vez mais próxima do Sol.

No período de sete anos da missão, a Sonda Solar Parker vai mergulhar 24 vezes na atmosfera solar. São 11 dias de recolha de dados de cada vez que se der essa aproximação — desde que está a um quarto da distância entre a Terra e o Sol, dando a volta à estrela e até que sai fora desse limite outra vez.

Nunca nenhuma outra sonda esteve tão perto do Sol como vai estar a Sonda Solar Parker, a apenas seis milhões de quilómetros. Parece muito, mas é preciso lembrar que são 150 milhões de quilómetros entre a Terra e o Sol. A sonda vai bater ainda outro recorde: no momento em que estiver mais próxima do Sol, a sonda ainda terá uma velocidade de 700 mil quilómetros por hora. Nunca nenhum outro objeto construído pelo homem atingiu esta velocidade.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt
Demografia

Envelhecimento e crescimento económico /premium

Manuel Villaverde Cabral

Nada é mais importante para países como Portugal do que o imparável envelhecimento da população e as suas consequências a todos os níveis da sociedade, da saúde ao potencial de crescimento económico.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)