Donald Trump

Trump critica banco central por subir taxas de juro e acusa Europa e China de manipular as moedas

Presidente dos EUA critica o banco central norte-americano, liderado por um homem escolhido por si, por estar a subir as taxas de juro. Mesmo assim, vai sair "vitorioso" no final, garante Trump.

TRACIE VAN AUKEN/EPA

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusa a China e a Europa de manipular as moedas — baixando-as deliberadamente para ganhar vantagem cambial nas exportações, por exemplo. E, além disso, Trump critica a Reserva Federal por estar a subir as taxas de juro — uma crítica que não é nova mas que visa, desta vez, um líder do banco central nomeado pelo próprio Trump (Jerome Powell). Apesar destes dois constrangimentos, Trump garante que, no final, sairá “vitorioso”.

A Reserva Federal dos EUA subiu as taxas de juro já duas vezes este ano e prevê-se mais uma subida em setembro, no caminho de normalização da política depois dos vários anos em que os juros estiveram em zero, para responder à crise. Essa é a política monetária que está a ser decidida para reagir ao facto de a inflação já ter escalado até perto de 3% e a taxa de desemprego estar abaixo de 4%, o nível mais baixo em 20 anos. Mas Trump diz que não está “entusiasmado” com as recentes opções políticas da Fed — e, questionado sobre se está arrependido de ter nomeado Powell para a liderança, diz que “daqui a sete anos” dirá se foi ou não uma boa decisão.

As declarações de Trump foram transmitidas em entrevista à agência Reuters. Trump diz que são os outros países que estão a beneficiar do aumento das taxas de juro e, em sentido contrário, a economia dos EUA está a ser penalizada pelos custos de financiamento mais elevados para famílias e empresas. “Estamos a negociar de forma muito dura com as outras nações. Vamos sair vitoriosos. Mas nos próximos tempos devia estar a receber mais ajuda por parte da Fed. Os outros países é que estão a ser ajudados”, comentou Trump.

Apesar de as lideranças da Fed serem nomeadas politicamente e confirmadas pelo Congresso, os vários presidentes norte-americanos têm sido contidos em comentários sobre as decisões de política do banco central. Mas Trump, mesmo quando era apenas candidato à presidência, tem um longo historial de questionar a estratégia da Fed para cumprir os seus mandatos: promover o emprego e controlar a inflação. Nos finais de 2016, Trump criticou a Fed, então liderada por Janet Yellen (mais próxima do partido democrata) de manter as taxas de juro injustificadamente baixas, com o intuito de favorecer o partido democrata e Hillary Clinton na eleição. Agora, Trump já quer taxas de juro baixas e pressiona o homem que nomeou para suceder a Yellen para não apertar em demasia a política monetária.

Mas Powell tem garantido que não é influenciável pelo poder político. “Vamos fazer o nosso trabalho de uma forma estritamente apolítica, sem levar em consideração questões políticas, porque é isso que é pedido no mandato que nos foi dado pelo Congresso”, afirmou Jerome Powell numa entrevista recente.

Aos olhos de Trump, contudo, a política monetária é um fator que complica a vida aos EUA e à sua intenção de corrigir os desequilíbrios que o presidente norte-americano vê no comércio externo. Para Trump, alguns dos países que têm sido visados com aumentos das taxas aduaneiras sobre determinados produtos estão a reagir a isso com “manipulação” do mercado cambial. Ou seja, se países como a China pagam mais para exportar os produtos para os EUA, através de taxas alfandegárias, compensam esse facto com uma intervenção no mercado cambial para desvalorizar as próprias moedas face ao dólar — acusa Trump.

“Eu acho que a China está a manipular a sua moeda, sem dúvida. E acho que o euro também está a ser manipulado”, atirou Donald Trump. O euro está a cair cerca de 5% face ao dólar este ano, numa reação às expectativas de aumento das taxas de juro nos EUA (e sem perspetiva imediata de que isso venha também a acontecer na zona euro) — mas Trump acredita que existe uma intenção deliberada de fazer intervenções significativas no mercado cambial, de modo a tornar os produtos europeus mais atrativos no mercado internacional. “Mesmo assim, vou vencer”, rematou Trump.

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