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"Desilusão" para uns, "puro ódio" para outros. O que dizem os bispos sobre a carta contra o Papa

Este artigo tem mais de 3 anos

Há quem defenda o Papa, há quem confie em Viganò e há quem torça o nariz a ambos. O que dizem os bispos, no Facebook, sobre a carta que acusa o Papa de ter ocultado casos de abuso sexual na Igreja.

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Getty Images

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A carta que o arcebispo Carlo Maria Viganò escreveu para acusar o Papa Francisco de encobrir casos de abuso sexual no seio da Igreja Católica está a dividir opiniões entre os bispos, principalmente nos Estados Unidos. Se uns interpretam as palavras de Viganò como uma tentativa de fragilizar a popularidade de Jorge Mario Bergoglio, outros confiam nas denúncias publicadas por ele. Até mesmo o silêncio que o Papa Francisco assumiu, quando os jornalistas lhe pediram comentários sobre a carta, foi visto como uma desilusão por uma parte da Igreja e como uma manobra sensata por outra.

Essas opiniões têm sido publicadas nas páginas oficiais de vários bispos e padres nas redes sociais, sobretudo no Facebook. O Observador recolheu as publicações dos três lados do conflito: quem confia plenamente em Viganò, quem defende o Santo Padre e quem, embora não tenha gostado das palavras de Papa Francisco, prefira ser cauteloso com as informações na carta do arcebispo.

Quem defende o arcebispo Viganò

Uma página oficial de católicos de Phoenix publicou a declaração do bispo Thomas Olmsted: “Conheço o arcebispo Carlo Maria Viganò há 39 anos. Tornámo-nos colegas na Secretaria de Estado da Santa Sé em agosto de 1979, onde ele estava a servir antes da minha entrada a serviço do ministério do Papa João Paulo II. Embora não tenha conhecimento das informações que ele revela no seu testemunho escrito a 22 de agosto de 2018, e por isso não possa verificar pessoalmente a sua veracidade, sempre o conheci e respeitei como um homem de veracidade, fé e integridade. Por isso, peço que as alegações de Viganò sejam levadas a sério”.

 Richard Heilman, um padre na diocese norte-americana de Madison (Wisconsin) declarou no Facebook que está completamente solidário com o arcebispo Viganò: “Tendo renovado a minha expressão de respeito e afeto pelo Santo Padre, devo acrescentar que, durante o seu mandato como Núncio Apostólico, conheci Dom Viganò profissional e pessoalmente, e continuo profundamente convencido da sua honestidade, integridade, lealdade e amor pela Igreja. Na verdade, o arcebispo Viganò expôs uma série de alegações reais e concretas no seu documento, dando nomes, datas, lugares e a localização da documentação de apoio — seja na Secretaria de Estado ou na Nunciatura Apostólica. Assim, os critérios para que as alegações sejam credíveis estão mais do que satisfeitos e uma investigação, de acordo com os procedimentos canónicos apropriados, certamente deve ser feita”.

Jean-François Lantheaume, antigo primeiro conselheiro da nunciatura apostólica em Washington D.C., sublinhou ter a certeza que Carlo Maria Viganò “disse a verdade, é só isso”. Lantheaume partilhou nas redes sociais aquilo que contou à Agência Católica de Notícias e reitera tudo o que Viganò escreveu sobre ele na carta com 11 páginas. Nesse documento do arcebispo, ele diz: “Jean-François Lantheaume, então primeiro Conselheiro da Nunciatura em Washington e Encarregado de Negócios ad interim após a morte inesperada do Núncio Sambi em Baltimore, contou-me quando cheguei a Washington — e ele está pronto para depor — sobre uma conversa tempestuosa, com duração de mais de uma hora, que o núncio Sambi teve com o cardeal McCarrick. Lantheaume disse-me que ‘a voz do Núncio pode ser ouvida até o final do corredor’“.

Fora dos Estados Unidos, o bispo Athanasius Schneider (Cazaquistão) disse que “não há nenhuma justificação razoável e plausível para duvidar do conteúdo verdadeiro do documento do Arcebispo Carlo Maria Viganò”: ” Num documento recentemente publicado, o arcebispo Carlo Maria Viganò testemunha que durante cinco anos o Papa Francisco sabia de dois fatos: que o cardeal Theodore McCarrick cometeu delitos sexuais contra seminaristas e contra os seus subordinados; e que o Papa Bento XVI lhe impôs sanções. Além disso, o arcebispo Viganò confirmou a sua declaração por um juramento sagrado, invocando o nome de Deus”. É por isto que Schneider confia nas palavras de Viganò.

Quem saiu em defesa do Papa Francisco

O bispo norte-americano Robert McElroy disse que a carta publicada pelo arcebispo Viganò é um discurso de “puro ódio pelo Papa Francisco e pelas coisas que ele nos ensinou”. Num comunicado publicado nas redes sociais, o bispo de San Diego escreveu: “O arcebispo Viganò subordina consistentemente a busca da verdade total ao partidarismo, à divisão e à distorção”. Para ele, a carta omite “qualquer referência à própria participação pessoal do Arcebispo Viganà no encobrimento de abuso sexual pelos bispos”.

A página da Arquidiocese de Newark também partilhou as declarações do cardeal Joseph W. Tobin, que se diz “chocado, triste e consternado” pelas alegações publicadas pelo ex-núncio apostólico nos Estados Unidos. Para ele, a carta “não pode ser entendida como um contributo para a cura de sobreviventes de abuso sexual”: “Os erros factuais, a insinuação e a ideologia temerosa do ‘testemunho’ servem para fortalecer a nossa convicção de avançar resolutamente na proteção dos jovens e vulneráveis de qualquer tipo de abuso, garantindo um ambiente seguro e respeitoso, onde todos são bem-vindos e derrubando as estruturas e culturas que permitem o abuso. Juntamente com o Papa Francisco, estamos confiantes de que o escrutínio das reivindicações do ex-núncio ajudará a reestabelecer a verdade”.

Quem está no limbo

Robert C. Morlino, bispo norte-americano de Madison, publicou no Facebook um comunicado onde se confessa “desiludido” pelo silêncio do Papa Francisco perante a carta que o acusa de ter ignorado os casos de abuso sexual. A declaração dizia que Morlino concorda com a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, que sublinha “o afeto fraterno pelo Santo Padre nestes dias difíceis”. Mas acrescentava: “No entanto, devo confessar a minha desilusão pelas observações no voo de regresso de Dublin para Roma, em que o Santo Padre escolheu um curso de ‘sem comentários’, apesar de quaisquer conclusões que possam ser tiradas das alegações do Arcebispo Viganò.

Robert Barron, também ele norte-americano, disse num vídeo publicado no Facebook que assina 0 comunicado da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, que pede que as suspeitas levantadas na carta de Viganò sejam levadas a sério e investigadas pelas autoridades. Mas pede cautela: “Agora, engolimos o que Viganò diz de uma assentada só? Não. Quando li o documento, havia algumas coisas que pareciam altamente especulativas para o meu gosto, algumas coisas que pareciam muito conduzidas pela emoções. Outras coisas pareciam ter bem mais substância e serem mais específicas porque pelo menos citam documentações sérias. Vale a pena olhar para essas coisas? Sim”.

O bispo Thomas John Paprocki, da diocese de Springfield, também condenou a reação do Papa Francisco à carta de Viganò numa nota no Facebook: “Francamente, mas com todo o respeito, essa resposta não é adequada. Dada a gravidade do conteúdo e as implicações da declaração do ex-núncio, é importante que todos os factos desta situação sejam totalmente revistos, analisados e cuidadosamente considerados. Para esse fim, o papa Francisco, os funcionários do Vaticano e o atual Núncio Apostólico devem tornar públicos os arquivos pertinentes, indicando quem sabia o quê e quando sobre o arcebispo (ex-cardeal) McCarrick”.

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