Um incêndio no segundo andar de uma casa num bairro residencial na zona oeste de Chicago, nos EUA, matou 10 crianças no fim de semana. As vítimas tinham entre 3 meses e 16 anos de idade, num caso que continua envolto em inúmeras questões para as quais não há resposta, designadamente porque é que não havia, por sinal, quaisquer adultos por perto.

Quando os bombeiros apagaram o incêndio, na manhã de domingo, não havia ninguém no primeiro andar mas no segundo andar, um apartamento com dois quartos, foram encontrados oito cadáveres de crianças que não terão, sequer, tentado fugir. Duas outras crianças estavam, ainda, vivas mas acabaram por morrer no hospital entre domingo e terça-feira. Não houve sobreviventes.

A informação sobre se existiam detetores de fumo é contraditória: o advogado do senhorio (a casa estava alugada) garante que havia detetores de fumo mas as primeiras informações transmitidas à imprensa é que esses alarmes não existiam. O mayor de Chicago, Rahm Emmanuel, indicou, mais tarde, que os detetores de fumo existiam mas não estavam a funcionar — uma informação que ainda está a causar alguma controvérsia, porque as crianças parecem não ter sido alertadas e terão morrido por inalação de fumo, não havendo sinais de tentativa de fuga.

“Daquilo que pudemos ver, eles teriam tido um caminho livre para fugir caso tivessem sido alertados”, afirmou um porta-voz dos bombeiros, citado pela CNN. “Os miúdos estavam lá deitados, apenas”, acrescentou. Os bombeiros tiveram de arrombar a porta do apartamento, que estava trancada.

Terá sido uma “festa de pijama” em que as 10 crianças pertenciam a duas famílias latino-americanas. A casa estaria alugada pela mãe de alguns dos irmãos que perderam a vida. A informação que existe, ainda não confirmada, é que a mãe tinha estado na casa ao início da noite mas, depois, saiu do local deixando as crianças sozinhas — ainda que algumas tivessem 14 ou 16 anos, havia um bebé de três meses na casa.

As autoridades estão a investigar se houve negligência. Marcos Contreras, que perdeu vários irmãos no incêndio, comentou aos jornais: “a minha mãe foi levar a minha irmã mais nova à casa da minha avó, e durante o tempo que esteve lá, presumo, a casa pegou fogo”. Este jovem não vivia naquela casa mas mora ali perto — quando foi alertado, de madrugada, correu para a casa mas já estava a arder.

Foi uma vizinha que sentiu o cheiro a fumo no ar que alertou as autoridades, além de tocar à campainha e bater às portas. As autoridades estão a tentar perceber a origem do fogo, mas estão convencidas de que não terá sido um curto-circuito nem fogo posto. Foram encontradas beatas de cigarro e peças de fogo de artifício nas traseiras da casa, na zona onde se acredita que o fogo começou.

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