O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou diretamente esta quarta-feira ao homólogo chinês, Xi Jinping, para que use a sua influência sobre a Rússia com vista a terminar a guerra lançada há mais de quatro anos por Moscovo.

“Não tivemos a oportunidade de falar diretamente com o líder da China, que está nos Estados Unidos hoje, mas não aqui [na Assembleia Geral]. E ele é alguém que pode influenciar a Rússia mais do que muitos outros podem, e gostaríamos que ele quisesse a paz tanto quanto nós na Ucrânia”, afirmou no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Zelensky recordou que discutiu uma trégua energética na terça-feira, numa reunião com o Presidente norte-americano, Donald Trump, à margem da sessão anual na ONU, e lamentou não ter tido a ocasião de tratar o assunto também com o homólogo chinês.

Sobre a situação na linha da frente, Zelensky apontou que o exército russo perdeu 248.964 soldados no campo de batalha só entre janeiro e agosto de 2026 para conquistar apenas 1.000 quilómetros quadrados, ao mesmo tempo que os militares ucranianos libertaram “uma parte significativa” do território. No entanto, alertou para os planos do homólogo russo de conquistar Odessa, Kharkiv e outras cidades ucranianas, mas também lembrou as ameaças à Moldova, Polónia e países bálticos.

“Esta guerra ridícula com a Ucrânia tem de acabar. Não conheço nenhum outro líder mundial que diga o contrário, que seja abertamente a favor desta guerra, com exceção de um homem”, declarou, referindo-se a Vladimir Putin.

O líder ucraniano afirmou que a guerra contra o seu país tem consequências noutras regiões do mundo e referiu que repatriou dois prisioneiros de guerra norte-coreanos. Além disso, Zelensky frisou que militares de 47 países, sobretudo de África, Ásia e América Latina, foram recrutados pelo exército russo para a sua campanha na Ucrânia, e pediu aos respetivos governos que protejam os seus cidadãos e os impeçam de se juntarem à guerra ao lado de Moscovo.

O Presidente ucraniano apelou ainda a todos os Estados-membros da ONU para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para privar a Rússia dos recursos financeiros necessários para o seu esforço de guerra. Neste sentido, reforçou, sem designar nomes, as críticas sobre o levantamento de sanções da União Europeia contra dois oligarcas russos, por pressão da França, do Luxemburgo e também da Eslováquia.

O Presidente ucraniano alertou que tecnologias como a inteligência artificial “vão começar a tomar decisões sobre o que acontece no campo de batalha”, advertindo os líderes presentes em Nova Iorque que é preciso alcançar a paz “antes de se chegar a esse ponto”.

Classificado como “o paciente zero” e o homem que iniciou “a maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial”, Vladimir Putin “terá inevitavelmente de deixar o mundo”, disse ainda o líder ucraniano.

“Mas enquanto continuar a travar a guerra, continuará a causar mais danos em todo o planeta”, prosseguiu, ao acrescentar que “nada o pode parar, exceto a coragem do povo” e esperando que “a coragem e a bravura permaneçam”.

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