Uma trabalhadora da empresa Fernando Couto — Cortiças S.A., em Santa Maria da Feira, que tinha sido despedida e depois recontratada por ordem do Tribunal do Porto, foi obrigada a carregar e descarregar sacos de 20 quilos sob temperaturas elevadas e proibida de usar as casas de banho principais. O caso, divulgado pela TVI 24, foi denunciado pelo Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, que descreve as condições a que a que a trabalhadora foi submetida como um “inferno”.

Os problemas começaram em janeiro de 2017, altura em que a mulher foi dispensada da corticeira onde trabalhava desde 2009. O caso acabou em tribunal. Depois de considerar que a trabalhadora tinha sido despedida ilegalmente, o Tribunal da Relação do Porto pediu a sua reintegração na Fernando Couto, numa decisão datada de abril deste ano, segundo a TVI 24.

Os responsáveis da empresa, que não terão ficado contentes com a decisão do Tribunal do Porto, decidiram dar-lhe uma tarefa que, segundo recomendações médicas, não podia fazer: carregar e descarregar sacos de 15 e 20 quilos de cortiça, muitas vezes sob temperaturas elevadas. A trabalhadora tem tendinites, uma hérnia discal e sofre de lombalgias intensa, explica o canal de televisão

O pior, contudo, foi as condições em que teve de o fazer: proibida de ter acesso às casas de banho utilizadas pelos outros trabalhadores, foi-lhe atribuída uma exclusiva, sem privacidade e com o papel higiénico controlado. Foi-lhe tirado o acesso ao parque de estacionamento e os colegas foram convidados a não lhe dirigir palavra.

De acordo com a TVI 24, a Autoridade para as Condições do Trabalho de São João da Madeira já terá feito duas visitas à Fernando Couto e elaborado um Auto de Notícia por assédio moral. Mas de pouco adiantou — o sindicato garante que a empresa quer “vencer pelo cansaço” uma trabalhadora que não conseguiu derrotar na barra dos tribunais.