O Presidente francês, Emmanuel Macron, aceitou a demissão do ministro do Interior, Gérard Collomb, e pediu ao primeiro-ministro, Edouard Philippe, para assumir interinamente a pasta até à nomeação de novo membro do Governo. O Conselho de Ministros, programado para as 10:00 (menos uma hora em Lisboa), realiza-se “com o Governo assim constituído”, refere uma nota da Presidência.

Número dois do Governo, Gérard Collomb renunciou pela segunda vez em 24 horas para “retornar a Lyon” e assumir a câmara. Collomb tinha pedido a demissão na segunda-feira, mas Emmanuel Macron recusou, segundo a Presidência, confirmando uma notícia do diário Le Figaro.

“Perante os ataques de que o ministro tem sido alvo desde que confirmou que vai ser candidato à Câmara de Lyon, o Presidente da República renovou-lhe a confiança e pediu-lhe para continuar totalmente mobilizado na sua missão para a segurança dos franceses”, indicou a Presidência francesa à agência France-Press.

Gérard Collomb tinha anunciado em 18 de setembro a sua saída do Governo no próximo ano, para se apresentar às eleições municipais em Lyon, no centro-leste do país, em 2020. Desde então, várias vozes exprimiram-se para reclamar a demissão imediata do ministro. Ainda na segunda-feira, o ex-deputado ecologista Daniel Cohn-Bendit, apoiante de Emmanuel Macron, considerou que Collomb “tinha o direito à reforma”.

Esta personalidade do espetro político europeu, uma das ‘almas’ do maio de 68, desejou mesmo, em jeito de provocação, que Collomb “saia do ministério, vá cuidar dos netos, vá tratar das flores”, denunciando também a “condescendência” do ministro do Interior face ao Presidente da República.

Segundo o Figaro, Gérard Collomb, que tinha criticado a falta de humildade e de capacidade de escuta do Governo, entregou a sua demissão ao chefe do executivo na segunda-feira, ao fim do dia.

Segundo um conhecedor dos meandros do topo do Estado, o cenário de uma saída rápida de Gérard Collomb não foi levado a sério por Emmanuel Macron e Edouard Philippe, menos de um mês depois da demissão de Nicolas Hulot, do Ministério da Ecologia, e a míni remodelação que se lhe seguiu.