O ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, diz ter “total e completa disponibilidade e interesse” em ser ouvido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sobre o caso de Tancos, noticiou a agência Lusa. Depois de ter sido implicado pelo ex-chefe de gabinete, o tenente-general Martins Pereira, é natural que Azeredo Lopes venha a ser chamado a prestar declarações, mas, em resposta, ao Observador, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu que, “neste momento”, o DCIAP não tem “qualquer diligência agendada no âmbito da designada ‘Operação Húbris'”.

“Face às notícias de hoje [quinta-feira] sobre o chamado ‘caso de Tanco’, contactei o DCIAP, tendo manifestado, com respeito pleno pela autonomia decisória da PGR [Procuradoria-Geral da República], a minha total e completa disponibilidade e interesse em ser ouvido pela investigação deste caso”, disse José Azeredo Lopes, numa declaração enviada à Lusa.

Numa nota enviada ao Observador, a PGR confirma que “Azeredo Lopes manifestou junto do DCIAP a disponibilidade e interesse em ser ouvido no âmbito do processo”, acrescentando que o Ministério Público “fará todas as diligências que considerar necessárias à descoberta da verdade”, neste como noutros inquéritos.

António Costa diz que espera que os “eventuais cúmplices e encobridores” no caso do aparecimento das armas de Tancos sejam responsabilizados. Na reação à notícia de que o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tinha sido informado do encobrimento feito por elementos da Polícia Judiciária Militar, o gabinete do primeiro-ministro diz ao Observador que “o PM não comenta questões objeto de investigação criminal. Limita-se a desejar que as autoridades competentes, com a maior brevidade possível, esclareçam cabalmente o ocorrido, responsabilizando os autores do furto e seus eventuais cúmplices e encobridores, sejam quem forem“.

O alegado envolvimento de Azeredo Lopes terá sido confirmado pelo antigo chefe de gabinete. Segundo o jornal Público, o tenente-general Martins Pereira, interrogado durante cinco horas no DCIAP esta quarta-feira, disse que tinha informado o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, do memorando sobre o roubo das armas dos Paióis Nacionais de Tancos. Na sequência dessa notícia, o Diário de Notícias avançou esta quinta-feira que, depois de ter sido implicado pelo ex-chefe de gabinete, Azeredo Lopes será chamado a prestar declarações.

Durante o interrogatório, o tenente-general Martins Pereira confirmou que recebeu o memorando do coronel Luís Vieira, ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), agora em prisão preventiva, e do major Brazão, porta-voz da Política Judiciária Militar, agora em prisão domiciliária. Esta informação já era conhecida desde dia 10 de outubro, mas, nessa altura, Martins Pereira afirmava que não tinha identificado qualquer facto que indiciasse uma irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos.

Esta quarta-feira, o tenente-general Martins Pereira disse aos procuradores do Ministério Público que tinha passado imediatamente a informação do memorando ao ministro da Defesa via WhatsApp — uma aplicação que encripta (codifica) telefonemas e mensagens escritas —, noticiou o Público. O ex-chefe de gabinete colocou o telemóvel à disposição dos investigadores para que se apurassem as suas declarações. O militar saiu do interrogatório como testemunha, sem ter sido constituído arguido.

Quando foi interrogado, o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, afirmou que tinha entregue um relatório formal da ocorrência em papel timbrado e assinado. Este sábado, o jornal Expresso publicou o memorando, mas o documento a que teve acesso não tinha data nem assinatura.

Atualizado com a declaração de Azeredo Lopes, às 14h10