Tiroteio

“Todos os Judeus devem morrer!”: Quem é Robert Bowers, o atirador da sinagoga norte-americana?

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Antisemita e anti-Trump: O homem que terá morto pelo menos onze pessoas este sábado utilizava as redes sociais para promover o ódio contra os judeus. E fez uma publicação duas horas antes do crime.

Duas horas antes de irromper na sinagoga “Tree of Life”, nos arredores da cidade americana de Pittsburgh, Robert Bowers escreveu numa rede social: “Que se lixe o vosso ponto de vista, vou avançar”, anunciou sem deixar antever o que se seguia. Bowers, 46 anos, terá recorrido a várias pistolas e a uma carabina semiautomática, uma AR-15 (a mais comum nos atentados que se registam nos EUA), para abrir fogo contra as cerca de 50 pessoas que ali se encontravam num batizado. Mesmo quando a polícia chegou, respondeu ao tiro e só se rendeu já depois de ferido. Quem é o homem que este sábado provocou, pelo menos, onze mortos?

Relatos de testemunhas descrevem que Robert — um indivíduo alto, entroncado e de barba — terá gritado “Todos os Judeus devem morrer!” antes de carregar no gatilho pela primeira vez. A exclamação revela muito daquilo que é a sua visão do mundo.  Citações como “Os judeus são os filhos de Satanás” ou “Diversidade é a perseguição do homem branco” fazem parte de um sem fim de tiradas antisemitas e xenófobas que o presumível autor do tiroteio escrevia com regularidade na sua página pessoal na Gab, uma rede social que se assume como tendo mais liberdade de expressão que o Twitter e o Facebook, por exemplo. Na fotografia que tem como fundo do seu perfil, por exemplo, é possível ver-se um manómetro com o número “1488”, uma referência à nomenclatura “secreta” de grupos supremacistas brancos.

Bowers não está filiado em nenhum partido político e já afirmou várias vezes — via rede social, também — que não concorda com o presidente Donald Trump. Apesar de “no início” ainda se rever no pensamento político do atual Presidente dos EUA, o facto de este ter permitido a entrada de refugiados judeus e de ter membros desta religião no seu Governo afastaram-no desse caminho. “Para que fique claro: Eu não votei nele [Trump] e nunca usei ou sequer toquei num boné MAGA [“Make America Great Again”]”, lê-se numa publicação.

Olhando para todo o conteúdo da página de Bowers no Gab — esta empresa rapidamente emitiu um comunicado sobre o tiroteio onde se pode ler que “a Gab tomou medidas rápidas e proativas ao contactar imediatamente as autoridades [assim que detetou o último post de Bowers]” e que fizeram “imediatamente” uma série de backups com todos os dados de utilização da sua página, que logo a seguir foi suspensa” –, por exemplo, não há grandes dúvidas quanto ao as motivações que levaram Robert Bowers a matar 11 inocentes e a estar na origem daquilo a que muitos já classificam como o maior ato de agressão direcionado a judeus a acontecer nos EUA.

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