O grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA), que está a ser investigado pela PJ por crimes como terrorismo e assalto à mão armada nas suas ações de resgate de animais, negou esta sexta-feira que a chefe de gabinete do PAN no parlamento, Cristina Rodrigues, tenha tido envolvimento direto nas ações investigadas pelas autoridades.

“Nunca fez parte de qualquer ação do IRA. Simplesmente tem um papel de apoio jurídico, pro bono e voluntário, pessoal, nas nossas ações, de aconselhamento”, afirmou um dos elementos do grupo, sem dar a cara, numa entrevista à RTP, repetindo a argumentação já feita pelo partido ao início da tarde.

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O indivíduo negou também que os membros do grupo atuem de cara tapada. “Nós não atuamos encapuzados, isso é completamente descabido. Aliás, nós próprios devolvemos com uma pergunta: se quatro elementos encapuzados batessem à porta ou tocassem à campainha a altas horas da noite, ou durante a noite, certamente que as pessoas que habitam nessa residência não iriam abrir a porta e iriam contactar as autoridades”, afirmou à RTP.

Sobre as ações desenvolvidas pelos elementos do IRA, o entrevistado garantiu que “60% ou 70%” realizam-se “com a presença das autoridades”, pelo que também seria “completamente descabido” que os membros do grupo fossem “portadores de armas, sejam elas brancas ou de fogo, na presença das autoridades, sem qualquer tipo de licença para a detenção das mesmas”. “Seríamos, garantidamente, imediatamente detidos”, disse.

O mesmo elemento do grupo sublinhou que o IRA contacta as autoridades quando visita localizações onde desconfia que ocorrem maus-tratos a animais e conclui que “os detentores não estão recetivos à ideia de entregarem o animal de livre e espontânea vontade para tratamentos veterinários imediatos”.

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Esta quinta-feira, a TVI emitiu uma reportagem em que se explica que a Polícia Judiciária está a investigar aquele grupo, que se dedica a recolher animais em situações que dizem ser de maus-tratos, por crimes de terrorismo, assalto à mão armada e sequestro.

Na reportagem, é exposta uma alegada relação entre o IRA e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN). Segundo o trabalho da TVI, Cristina Rodrigues, chefe de gabinete do PAN na Assembleia da República e ex-candidata à Câmara de Sintra por aquele partido, seria uma das pessoas encapuzadas que aparecem nos vídeos das ações do IRA divulgadas na Internet.

O partido, pela voz do deputado único André Silva, negou logo “qualquer tipo de relação” com o IRA e garantiu não ter conhecimento da forma como o grupo atua, apesar de assumir que o PAN já recebeu elementos do IRA para discutir assuntos relacionados com os animais.