O grupo de rebeldes extremistas Boko Haram matou 44 soldados em ataques numa base militar e nove agricultores no nordeste da Nigéria, desde o fim-de-semana, numa nova demonstração de força a três meses da eleição presidencial, foi esta terça-feira divulgado.

Segundo fontes de segurança, homens do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) mataram pelo menos 44 soldados em ataques a três bases militares no fim-de-semana.

Só o ataque a uma base em Metele, uma aldeia remota perto da fronteira com o Níger, provocou, no domingo, 43 mortos, de acordo com um oficial do exército sob condição de anonimato, que indicou na segunda-feira, não ter o balanço. “As nossas tropas foram completamente derrotadas e os terroristas tomaram a base depois de longos combates”, explicou uma fonte do exército nigeriano.

O comandante da base e três outros oficiais estão entre as vítimas, disse a mesma fonte, acrescentando que as buscas por possíveis sobreviventes ou outros cadáveres continuam, no mato. “Esta é uma das maiores perdas que sofremos em termos de homens e equipamentos em operações de contra-insurgência”, afirmou outra fonte militar. “Estamos a falar de mais de 40 soldados mortos, armas e veículos a ser levados pelos terroristas do Boko Haram”, acrescentou.

Segundo um miliciano, os atacantes chegaram a bordo de cerca de vinte camiões. “O apoio aéreo (do exército) veio após os insurgentes invadiram a base e roubarem as armas”, o que lhes permitiu recuperar o controlo da base, explicou.

No mesmo dia, os jihadistas atacaram outra base, em Gajiram, a 80 quilómetros de Maiduguri, onde os combates duraram várias horas, disseram os moradores, sem relatar vítimas. Um soldado também foi morto num ataque a Mainok, segundo fontes de segurança, elevando assim a 44 o número de vítimas mortais desde o fim-de-semana.

O ISWAP reivindicou os ataques de Metele e Mainok, alegando ter matado pelo menos 42 soldados, segundo o grupo SITE Intelligence, que identifica e monitoriza ameaças e entidades internacionais extremistas.

Pelo menos nove agricultores morreram e outros 12 foram sequestrados esta terça-feira por jihadistas do grupo Boko Haram numa vila no nordeste da Nigéria.

Em 14 de novembro, militantes do Boko Haram atacaram Mammanti, matando uma pessoa e queimando a aldeia antes de levar centenas de cabeças de gado. Sete mulheres foram raptadas no mesmo dia perto da cidade de Bama, a 70 quilómetros de Maiduguri, enquanto trabalhavam nos campos sob a proteção de homens armados, segundo membros da milícia civil envolvidos contra o Boko Haram ao lado do exército nigeriano.

Os insurgentes atacam frequentemente comunidades agrícolas para roubar alimentos e sequestrar civis, muitas vezes forçados a se juntar às fileiras do grupo jihadista. Apesar das alegações do Governo de que o Boko Haram está prestes a ser derrotado, recentemente o grupo intensificou os seus ataques contra alvos e militares causando várias mortes.