A autêntica novela sul-americana em que se converteu a final da Taça Libertadores após o ataque dos adeptos radicais do River Plate ao autocarro do Boca Juniors no passado sábado, dia em que se deveria jogar o segundo e decisivo jogo, conheceu mais capítulos e, de forma surpreendente, tudo voltou a mudar da noite para o dia. Até mesmo de continente mudou.

Depois de ter ficado definido na passada terça-feira entre os presidentes da CONMEBOL, do River Plate e do Boca Juniors que a final se iria realizar fora da Argentina, houve uma proposta que, de acordo com os meios locais, foi ganhando força: o estádio Khalifa International de Doha. E por uma razão simples – em termos financeiros, era de longe a melhor alternativa apresentada. Todavia, a hipótese de levar para o Qatar (que vai receber o Mundial em 2022) a decisão da Libertadores acabou por cair pela distância, tendo em conta toda a logística que seria necessária. Carlos Hernández, embaixador argentino no Qatar, fez mais algumas diligências mas sem efeito. Assim, Miami e Medellín ganhavam uma nova força.

Esta quinta-feira, o Camp Nou, em Barcelona, começou a surgir como hipótese até surgir o nome que ganhou mesmo a corrida: o River Plate-Boca Juniors vai realizar-se no dia 9 em Madrid, no Santiago Bernabéu, o recinto do Real (que joga fora nesse fim de semana). A opção foi indicada por Luis Rubiabes, presidente da Real Federação Espanhola de futebol, e as reuniões com os responsáveis sul-americanos e com os clubes, assim como elementos da FIFA, foram mantidas a partir de Londres e com a aprovação de Florentino Pérez, presidente dos merengues. Faltava apenas a confirmação da luz verde do Governo espanhol, que se reuniu esta tarde com a Polícia Nacional e com o Real Madrid para discutir o dispositivo de segurança. Falta apenas um “pormenor” para que a decisão seja oficializada: garantir que haverá um controlo apertado para evitar cenas como as que marcaram o último sábado. É por isso que, na imprensa espanhola e argentina, têm saído notícias que dão conta de uma conversa marcada entre Mauricio Macri, presidente da Argentina, e Pedro Sánchez, líder espanhol.

De referir que, perante a insistência do rival em entrar em campo para disputar a segunda mão da final da Libertadores, Rodolfo D’Onofrio, presidente do River, teve um discurso mais duro, pedindo para que deixassem de existir desculpas para não se jogar. “Porque é que não querem jogar? Não somos assim tão bons, podem ganhar-nos. Ele [Angelici, líder do Boca] deu a palavra, ao presidente do CONMEBOL e a mim, que tome a atitude que tem de tomar. O presidente da CONMEBOL pediu-nos algo lógico: que tratemos de evitar a violência, que o futebol é só um jogo. Temos de acabar com esta guerra que deixa as pessoas nervosas, temos de acabar com esta estupidez. O mundo está a ver-nos e estamos a mostrar-nos de uma forma terrível. Terminemos com esta invenção de tentar ganhar o jogo por algo que o River não tem nada ver”, ressalvou.

Entretanto, sabe-se que Daniel Angelici, presidente do Boca Juniors, terá conversado com o plantel a propósito das hipóteses em cima da mesa e se, no início, havia uma posição irredutível em relação à ausência, agora as coisas estão ligeiramente diferentes e pode haver essa ideia de ir a jogo caso seja essa a decisão da CONMEBOL. Ainda assim, mesmo que os xeneizes entram em campo, podem sempre alinhar sob protesto e levar o caso até ao Tribunal Arbitral do Desporto.