O nome de António Costa não consta da lista de personalidades que o PSD quer ouvir no âmbito da comissão de inquérito ao furto de Tancos. Nos requerimentos que o partido entregou esta segunda-feira de manhã constam, por outro lado, os nomes de três ministros: da Defesa, da Administração Interna e da Justiça.

A lista que o PSD entregou tem 29 nomes. Além dos três atuais ministros, também Azeredo Lopes (ex-ministro da Defesa) e o seu ex-chefe de gabinete (ambos visados diretamente na Operação Húbris, que levou à detenção de nove pessoas) serão chamados à comissão de inquérito.

O general Rovisco Duarte, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército, é um dos antigos responsáveis militares na lista de audições apresentada pelos sociais-democratas, a par dos generais Menezes (antigo Comandante Operacional das Forças Terrestres) e Antunes Calçada (ex-Comandante do Pessoal do Exército). O sucessor de Rovisco Duarte, general Nunes da Fonseca, também será chamado.

Há ainda cinco nomes envolvidos no processo que resultou na detenção do ex-diretor da Polícia Judiciária Militar: o coronel Luís Vieira (ex-diretor da PJM), Vasco Brazão (ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar e o principal responsável pela operação de recuperação das armas furtadas dos Paióis Nacionais de Tancos), o sargento Lima Santos (GNR) e outros militares da GNR que colaboraram com a PJM e João Paulino, o único civil detido no âmbito dessa operação.

Apesar de o nome do primeiro-ministro não constar da lista entregue pelo PSD, já é certo que António Costa será chamado a prestar um depoimento na comissão de inquérito, uma vez que o PS inclui essa audição no requerimento entregue no Parlamento. Além disso, os sociais-democratas deixam a porta aberta a novas inscrições no decorrer da comissão de inquérito, sugerindo que “a comissão parlamentar de inquérito faça o ponto de situação ao fim do primeiro conjunto de um terço das audições, decidindo depois um prazo limite para sugestão de novas diligências por parte dos grupos parlamentares”.

Noutro dos requerimentos apresentados, o PSD pede que seja agendada uma visita às instalações dos Paióis Nacionais de Tancos, “com vista a ter contacto presencial com o local onde terá ocorrido o furto do material de guerra”. Pede ainda que seja “solicitada à Comissão de Defesa Nacional, toda a documentação relativa ao objeto desta Comissão de Inquérito, enviada pela Procuradoria-Geral da República à Comissão de Defesa Nacional”, a par de “toda a correspondência, incluindo e-mails, trocada entre a Comissão de Defesa Nacional e a Procuradoria-Geral da República, no âmbito deste processo”.

Há outros dois requerimentos entregues, um dirigido à comissão de Defesa Nacional e outro ao Ministério da Defesa. À primeira pede-se que disponibilize “toda a documentação e audições na posse daquela Comissão, relativas ao objeto desta comissão parlamentar de inquérito” e à segunda que envie “toda a documentação que permitiu fazer um diagnóstico sobre o que aconteceu em Tancos e tomar as medidas corretivas e/ou preventivas que foi necessário executar”.