O governo dos EUA vai ficar parcialmente encerrado até pelo menos quinta-feira, suspendendo assim algumas das suas agências perante a falta de fundos que surge na sequência de um impasse entre Donald Trump e as duas câmaras do Congresso para a construção de um muro na fronteira com o México.

A certeza de que o shutdown parcial, em vigor desde este domingo, vai continuar até pelo menos ao dia 27 deste mês surge depois de o líder da maioria republicana no Senado, e presidente daquela câmara, Mitch McConnell, ter anunciado a suspensão dos trabalhos até quinta-feira. O shutdown parcial acontece quando os diferentes órgãos de poder político nos EUA (Câmara dos Representantes, Senado e a Casa Branca) demoram a chegar a um acordo quanto ao orçamento para determinadas agências estatais — tanto que algumas delas são obrigadas a suspenderem atividades e a enviar funcionários para casa.

A decisão de adiar os trabalhos foi tomada porque, de acordo com aquele político republicano, não há ainda condições para desfazer o atual impasse para ser aprovado um orçamento que permita a Donald Trump levar avante a construção do muro. E, da forma como falou este sábado no Senado, numa sessão muito pouco frequentada e ainda menos produtiva, é possível que o shutdown continue até aos primeiros dias de 2019.

Mitch McConnell acusou os democratas de estarem sob “imensa pressão” da “extrema-esquerda” e que por isso se recusam a libertar os fundos para construir o muro de Trump

“Quando as negociações produzirem uma solução que é aceitável para todas as partes, o que significa 60 votos no Senado, uma maioria na Câmara dos Representantes e uma assinatura presidencial, nessa altura vamos levá-la a votos no Senado. Os senadores serão notificados para quando houver uma votação e, até lá, as discussões e negociações vão continuar”, disse Mitch McConnell no púlpito dos oradores no Senado, este sábado.

À semelhança daquilo que Donald Trump tem feito, Mitch McConnell deixou críticas aos democratas por não acederem ao pedido de Donald Trump, que quer um financiamento de 5,7 mil milhões de dólares (5 mil milhões de euros) para construir um muro na fronteira com o México. “Eles estão sobre imensa pressão, como todos sabemos, por causa da extrema-esquerda. E por isso sentem-se obrigados a discordar do Presidente”, disse Mitch McConnell.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, discursou momentos antes, atribuindo as culpas do shutdown ao Presidente dos EUA.

“A culpa é de uma pessoa apenas: o Presidente Trump. Chegámos a este momento porque o Presidente tem feito uma birra destrutiva ao longo de duas semanas, exigindo que os contribuintes americanos banquem um muro na fronteira que é caro e nada eficaz, e que o Presidente prometeu que o México é que ia pagar”, disse Chuck Schumer este sábado no Senado.

shutdown parcial do governo iniciado este domingo é o segundo deste ano — o primeiro aconteceu em janeiro, também com o tema da imigração a dividir bancadas parlamentares — e cabe ao Senado desbloqueá-lo.

Depois das eleições intercalares de novembro deste ano, o republicanos mantiveram a maioria naquela câmara, com 53 senadores do seu lado. Os democratas têm 45 e sobram ainda dois independentes — Bernie Sanders, do Vermont, que tendencialmente vota com os democratas; Angus King, Maine, que costuma estar do lado dos republicanos.

Ao contrário do que se costuma passar com a maioria das votações, que necessitam apenas uma maioria de 51 votos favoráveis, esta que diz respeito à canalização de 5 mil milhões de euros para a construção do muro com o México precisa de 60 — equivalente a três quintos da câmara.

Este é o último esforço de Donald Trump para levar avante uma das suas maiores e mais importantes promessas eleitorais — e tudo indica que, pelo menos nos próximos tempos, não passará disso. Tudo isto porque a 3 de janeiro tomam posse os novos congressistas — e, a partir dessa data, a Câmara dos Representantes vai voltar a ter uma maioria de democratas. Como é precisamente dali que partem todas as propostas orçamentais — que depois precisam de ser aprovadas pelo Senado —, é pouco provável que venha a partir de lá nos próximos tempos um esforço para fazer cumprir uma medida de Donald Trump. Por isso, ao Presidente dos EUA e à sua promessa, pode já só restar uma corrida contra o tempo.