Rep Democrática do Congo

Congoleses vão às urnas eleger sucessor de Kabila

Após uma campanha eleitoral marcada pela violência, 40 milhões de congoleses vão às urnas escolher quem sucede a Kabila. Todos querem um país mais pacífico e transparência na exploração mineira.

40 milhões de congoleses vão às urnas este domingo

STEFAN KLEINOWITZ/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Cerca de 40 milhões de eleitores congoleses escolhem este domingo o sucessor do presidente da República Democrática do Congo (RDCongo), Joseph Kabila, dois anos depois da data inicialmente prevista e na ressaca de vários conflitos e epidemias. Dos 21 candidatos presidenciais – entre os quais uma mulher – aprovados oficialmente pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) da RDCongo, destacam-se três favoritos: Emmanuel Ramazani Shadary, Martin Fayulu, e Félix Tshisekedi.

Emmanuel Ramazani Shadary, antigo ministro do Interior, é o candidato apoiado pela coligação no poder, a Frente Comum para o Congo (FCC), e é o “delfim” de Kabila, impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato.

Já Félix Tshisekedi e Martin Fayulu afiguram-se como os candidatos da oposição com maior apoio. Félix Tshisekedi, de 55 anos, é líder do maior partido da oposição, a União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), e concorre depois da candidatura do seu pai, Étienne Tshisekedi, em 2011. Na altura, os 32,33% dos votos recolhidos por Étienne foram insuficientes para vencer Kabila.

Já Martin Fayulu, de 62 anos, viu a sua base de apoiantes crescer nos últimos meses. O antigo dirigente de uma petrolífera multinacional é membro do partido Compromisso pela Cidadania e Desenvolvimento (Ecidé, como é conhecido na RDCongo) e um assumido opositor das políticas de Kabila.

A pacificação do país é um objetivo que consta no topo do programa de todos os candidatos, algo que não se afigura fácil, segundo organizações não-governamentais (ONG), que acreditam que apenas com um alinhamento das leis congolesas perante a legislação internacional, em aspetos como a liberdade de expressão e a eliminação da pena de morte, essa pretensão pode ser alcançada.

Também a transparência na exploração de recursos minerais e matérias primas é um dos aspetos em debate, depois de, durante este ano, o Governo ter admitido a intenção em abrir a exploração petrolífera em zonas protegidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), medida contestada por ONG ambientais.

Inicialmente previstas para 2016, as eleições de 30 dezembro foram já adiadas duas vezes, e, além de presidenciais, irão ainda permitir a escolha de representantes parlamentares a nível nacional e provincial.

Na quarta-feira, a comissão eleitoral anunciou que o escrutínio de domingo foi adiado para março nas regiões de Beni e Butembo, na província do Kivu Norte, e na localidade de Yumbi, na província de Mai-Ndombe, afetadas por conflitos e por um surto de Ébola que já provocou mais de 350 mortos, desde 01 de agosto. A decisão, que afeta cerca de 1,2 milhões de eleitores em zonas que têm um histórico de eleger membros da oposição, foi contestada pelo país através de protestos e manifestações.

A violência tem sido uma constante durante a campanha eleitoral que antecipou as eleições, tendo, de acordo com a ONG Associação Congolesa de Acesso à Justiça (ACAJ) contabilizado pelo menos dez mortos, a maioria durante comícios da oposição e em manifestações contra o candidato da FCC. O exercício eleitoral deverá contar com cerca de 270.000 observadores nacionais e internacionais, tendo o Governo vetado a presença de algumas missões internacionais, incluindo da União Europeia e da Fundação Carter, o que leva a oposição a suspeitar da existência de fraude.

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