O presidente do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, opositor do presidente Nicolás Maduro, foi detido este domingo pelas forças de segurança venezuelanas, denunciou através do Twitter a esposa de Guaidó, Fabiana Rosales. O líder do parlamento acabou por ser libertado cerca de meia hora depois, mas ainda não se conhecem os motivos que levaram à detenção de Guaidó.

Recorde-se que Nicolás Maduro tomou posse na última quinta-feira para mais um mandato à frente do país, resultado das eleições antecipadas que decorreram em maio do ano passado. Se cumprir o mandato até ao final, Maduro ficará no poder até 2025.

No início de janeiro, antes da tomada de posse de Maduro, Juan Guaidó afirmou que a Assembleia Nacional, onde a oposição tem a maioria, não irá reconhecer a legitimidade da presidência de Maduro porque as eleições de maio foram “irregulares” e que, por isso, Maduro está a “usurpar” as funções de chefe de Estado.

“A presidência, a partir de 10 de janeiro, estará usurpada, porque estamos em ditadura, e recuperar a democracia não depende de uma lei ou de nomear alguém, depende de todos (…). Nicolás [Maduro], a 10 de janeiro, este parlamento não te ajuramentará”, disse.

A 21 de maio de 2018, um dia depois das últimas eleições presidenciais antecipadas na Venezuela, o parlamento denunciou os resultados, alegando irregularidades e o não respeito pelos tratados de Direitos Humanos ou pela Constituição da Venezuela.

Na última sexta-feira, no dia depois da tomada de posse de Maduro, o presidente do parlamento mostrou-se disponível para assumir a presidência interina do país, reforçando a ideia de que a presidência de Maduro é ilegítima. A ministra das Prisões, Iris Varela, respondeu a esta declaração afirmando ter uma cela pronta para ele “com o respetivo uniforme”.

De acordo com um vídeo divulgado nas redes sociais, Juan Guaidó foi detido enquanto se deslocava de carro para um evento público onde ia participar. O veículo de Guaidó foi parado por vários carros dos serviços de informações da Venezuela, que levaram o responsável.

No sábado, o Governo brasileiro de Jair Bolsonaro declarou apoio a Juan Guaidó e à sua proposta para “assumir constitucionalmente” a presidência venezuelana, contra a “ilegitimidade” de Maduro.

“O Brasil continua comprometido a ajudar o povo venezuelano a recuperar a liberdade e a democracia, e seguirá em coordenação com os demais atores imbuídos do mesmo propósito”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro em comunicado.