Censura

Graça Fonseca sobre censura a Pessoa: “as obras devem ser conhecidas no seu todo”

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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, defendeu que as obras "as obras devem ser conhecidas no seu todo", quanto ao caso da omissão de partes de um poema de Álvaro Campos em manuais escolares.

Graça Fonseca é ministra da Cultura desde outubro de 2018

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, defende que “as obras devem ser conhecidas no seu todo”, num curto comentário sobre qual a posição relativamente à censura de partes de poemas de Fernando Pessoa em manuais escolares. Questionada pelos jornalistas sobre a polémica recente, a responsável política pelo setor da Cultura em Portugal não prestou mais declarações sobre a questão por esta “ser da tutela” de outro ministério, “o da Educação”.

Este domingo, o jornal Expresso divulgou que um manual escolar de língua portuguesa do 12.º ano, publicado pela Porto Editora e aprovado pelo Ministério da Educação, inclui uma versão censurada do poema “Ode Triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Os versos foram censurados, diz Porto Editora, por “uma preocupação didático-pedagógica” porque tinha “linguagem explícita e que se relacionam com a prática de pedofilia”.

A ministra socialista respondeu à questão no antigo Museu dos Coches, em Lisboa, à margem do lançamento em forma digital de três mil obras do património cultura português na Internet, numa parceria com a Google. Graça Fonseca salientou que os poemas devem ser publicados sem cortes, e que “assim é e assim acontece” noutras publicações.

Os versos censurados foram estes: “Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas” e “E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! — / Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada”. O poema na íntegra pode ser lido aqui, no arquivo da obra de Fernando Pessoa. O poema pode ser lido na íntegra aqui.

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