O Conselho de Segurança da ONU reúne-se este sábado de emergência, a pedido dos Estados Unidos, para discutir a atual situação política na Venezuela.

A reunião sobre a crise venezuelana foi pedida por Washington, que pretende apelar à comunidade internacional para reconhecer o líder da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, como “Presidente constitucional interino da Venezuela”.

Guaidó autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer, nesse mesmo dia, a autoridade do opositor ao contestado Presidente Nicolás Maduro.

O porta-voz adjunto do Departamento de Estado norte-americano, Robert Palladino, confirmou na sexta-feira que o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, vai participar nesta reunião aberta do órgão máximo das Nações Unidas (por ter a capacidade de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo).

“Durante a reunião do Conselho de Segurança, o secretário de Estado Pompeo irá sublinhar o apoio da administração ao povo venezuelano”, referiu o porta-voz adjunto, numa nota enviada às redações.

Mike Pompeo “vai exortar os membros do Conselho de Segurança e a comunidade internacional a preservarem a paz e a segurança internacionais reconhecendo Juan Guaidó como Presidente constitucional interino da Venezuela”, indicou a mesma nota.

O secretário de Estado vai também “apelar a que se apoie o governo de transição nos seus esforços para restabelecer a democracia e o Estado de Direito”.

Segundo fontes diplomáticas, a missão dos Estados Unidos junto das Nações Unidas pediu que o início da reunião tivesse início às 09:00 locais (14:00 em Lisboa).

Os Estados Unidos foram o único dos cinco membros permanentes (e com poder de veto) do Conselho de Segurança a ter reconhecido formalmente Juan Guaidó como Presidente em vez de Nicolás Maduro.

A França e o Reino Unido expressaram apoio a Guaidó enquanto presidente da Assembleia Nacional e consideraram “ilegítima” a reeleição de Nicolás Maduro, enquanto a Rússia manteve o apoio ao dirigente socialista e a China criticou “ingerências externas”.

A par de Washington e Canadá, a maioria dos países da América Latina, salvo algumas exceções como Bolívia, Cuba e Nicarágua, reconheceram Guaidó como Presidente interino.

Ao lado de Maduro, mantiveram-se países como a Turquia e o Irão, bem como as forças armadas venezuelanas.

O México propôs-se, na sexta-feira, receber Maduro e Guaidó para dialogarem. Horas depois, Nicolás Maduro disse que, pela paz no país, estava disponível para se reunir com o opositor Juan Guaidó e para iniciar “um diálogo nacional”.

Os protestos na Venezuela causaram pelo menos 26 mortos em quatro dias, segundo o Observatório Venezuelano dos Conflitos Sociais (OVCS), uma organização da oposição.

A ONU referiu que mais de 350 manifestantes foram presos desde o início da semana.

Os dados desta organização indicam que 2,3 milhões de pessoas fugiram da Venezuela desde 2015 devido à crise política e económica no país, onde vivem cerca de 300.000 portugueses e lusodescendentes.