O clube automóvel alemão, ADAC, particularmente activo no domínio dos testes à segurança, fiabilidade e eficácia, até dos sistemas periféricos, publicou um trabalho em que analisa 237 modelos, entre os mais representativos do mercado, sendo que 232 deles estavam equipados com sistema keyless, solução em que o condutor apenas tem de se aproximar do veículo com a chave no bolso, para que a porta se destranque e possa ser aberta e o motor colocado em funcionamento.

Esta solução é tão prática quanto confortável, facilitando a vida de quem conduz, especialmente quando estamos de mãos ocupadas. Aliás, nestas condições até é possível abrir a bagageira com o simples movimentar do pé sob a chapa de matrícula traseira. Porém, a comodidade traz consigo um importante preço a pagar, uma vez que é relativamente simples (e barato) os ladrões aproveitarem o sistema keyless para roubar carros.

Dos 232 automóveis com o dispositivo, só dois não se revelaram fáceis de piratear. Basta que o condutor estacione o carro à porta de casa e que os ladrões, equipados com um amplificador de sinal, sondem o exterior da residência em busca da emissão da chave (que está sempre a tentar comunicar com o veículo). Depois, um dos larápios só tem de abrir a porta de veículo e arrancar. Em alternativa, é possível gravar o sinal e utilizá-lo posteriormente para “desviar” o carro, numa ocasião que seja mais conveniente para os gatunos.

Os roubos de veículos recentes estão a aumentar. Em Inglaterra, por exemplo, subiram 48,7% e mais de 50% nunca são recuperados. Os veículos topo de gama são os mais procurados pelos amigos do alheio, mas também os modelos mais acessíveis, desde que equipados com o sistema keyless, estão igualmente expostos.

Os construtores não estão parados e já estão a tentar anular ou atenuar o problema. A prova é que os sistemas dos Jaguar I-Pace e do Land Rover Discovery de 2018 foram os únicos, nos testes do ADAC, a impedirem os hackers de conseguirem abrir os veículos (pode ver aqui os resultados, sendo que a primeira coluna diz respeito à abertura da porta e a segunda à possibilidade de colocar o motor em marcha). Todos os outros foram abertos e roubados em segundos.

Há fabricantes a desenvolver sistemas keyless mais modernos, equipados com um sensor que detecta movimento, impedindo-as de emitir qualquer sinal se estiveram paradas, sendo que existem outras soluções a serem alvo da atenção dos técnicos. Mas até estarem disponíveis e se não quer ter uma surpresa desagradável à porta de casa, da empresa onde trabalha ou do restaurante onde almoça, a solução mais simples e eficaz continua a ser envolver a chave em papel de alumínio (apesar de bastar um pequeno orifício para o sinal sair). Se quer uma solução com melhor aspecto, as lojas da especialidade (e a Amazon) vendem bolsas pequenas especificamente para proteger as chaves.

Pode ainda meter a chave no congelador (desde que seja de alumínio por dentro e não de plástico), mas esta estratégia não faz bem à longevidade da bateria que alimenta o comando e não funciona sempre que se abre a porta do congelador. Em alternativa, crie a sua própria gaiola Faraday, com uma caixinha de metal. Ou pode sempre contactar o construtor e pedir-lhe para tentar desactivar a função keyless.