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UNITA recorre de acórdão que impede parlamento de fiscalizar Governo angolano

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A UNITA vai propor a quatro grupos parlamentares a subscrição do documento a remeter ao Tribunal Constitucional, com vista à transparência, à impunidade e à ação fiscalizadora da Assembleia Nacional.

O líder parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, pretende saber quem se posiciona contra direitos constitucionais e restrições à ação das instituições com pedido de apreciação do acórdão

AMPE ROGÉRIO/LUSA

O grupo parlamentar da UNITA, maior partido da oposição angolana, anunciou esta quarta-feira que vai submeter ao Tribunal Constitucional um pedido de apreciação da constitucionalidade do acórdão que proíbe a Assembleia Nacional de fiscalizar os atos do executivo.

A informação foi esta quarta-feira avançada em Luanda pelo líder do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, em conferência de imprensa centralizada na questão da fiscalização da governação pelo parlamento angolano.

Adalberto Costa Júnior disse que a sua bancada parlamentar vai propor a cada deputado dos grupos parlamentares do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), maioritário, da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), e das representações parlamentares do Partido de Renovação Social (PRS) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), a subscrição do documento a remeter ao Tribunal Constitucional.

“Com este ato vamos verificar quem é que de facto abraça a transparência, a impunidade, a ação fiscalizadora da Assembleia Nacional e quem, ao contrário, se posiciona contra direitos constitucionais e restrições à ação das instituições”, referiu Adalberto da Costa Júnior.

Em causa está o acórdão 319 do Tribunal Constitucional, de 9 de outubro de 2013, que declarou inconstitucionais quatro artigos do Regimento da Assembleia Nacional, em vigor na altura, proibindo a Assembleia Nacional de fiscalizar os atos de governação do executivo.

Segundo Adalberto Costa Júnior, no mesmo ano do referido acórdão, 22 deputados do grupo parlamentar do MPLA escreveram ao Tribunal Constitucional, requerendo a verificação da constitucionalidade de um conjunto de artigos da Lei Orgânica que Aprova o Regimento da Assembleia Nacional, tendo decidido favoravelmente à petição.

O dirigente da UNITA lembrou que, desde aquela altura, a Assembleia Nacional passou a impedir a realização de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), bem como de iniciativas parlamentares de fiscalização à governação, “sob o pretexto de que careceriam de prévia autorização do titular do poder executivo, o Presidente da República”.

O deputado referiu que, com esta situação, a UNITA viu sem resposta ou impedidos requerimentos dirigidos à Assembleia Nacional para a abertura de CPI ao Banco Espírito Santo Angola (BESA), à Sonangol, ao Fundo Soberano de Angola e à Dívida Pública.

Nesse sentido, sob orientação da direção da UNITA, o grupo parlamentar tem prontas para remeter de imediato à Assembleia Nacional a realização de comissões parlamentares de inquérito ao antigo BESA e sobre a gestão da Sonangol, e “cada vez mais urgente e necessária” ao Fundo Soberano e à Dívida Pública.

Para o grupo parlamentar do maior partido da oposição angolana, a fundamentação para estas comissões “continuam muito atuais e na ordem do dia”, tendo em conta o processo de repatriamento de capitais, a ação da Procuradoria-Geral da República e do Tribunal de Contas.

Garante que continuam a ser matérias “relevantes e de interesse nacional, envolvendo atores políticos e atores institucionais atuais, cujos atos continuam por clarificar e com graves consequências sobre a situação de crise acentuada que o país vive”.

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