PSD

Rio apresentou-o e Rangel entrou ao ataque na campanha com desafios a António Costa

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Presidente do PSD confirmou Rangel como candidato às europeias numa apresentação de cinco minutos. O candidato entrou oficialmente na campanha com violentos ataques ao PS e a António Costa.

Global Imagens

O presidente do PSD, Rui Rio, falou cinco minutos para dizer as cinco razões que o levaram a escolher Paulo Rangel como candidato às eleições europeias, tal como Observador tinha noticiado na terça-feira. Pouco depois, o eurodeputado não perdeu um minuto até começar a atacar o governo de António Costa. Também Pedro Marques — cabeça-de-lista ainda não oficialmente assumido pelo PS — foi acusado de ser um “candidato disfarçado” em “campanha dissimulada” que levanta suspeição de uso de dinheiros públicos para fins eleitorais. Rio e Rangel estiveram alinhados na ambição: as Europeias são para vencer. Mas Rangel acrescentou que as legislativas também (“ao contrário do que muitos imaginam“) e fez um discurso duro para o Governo, com vários desafios diretos a Costa.

O nome de Rangel foi aprovado por unanimidade na Comissão Política Nacional e Rui Rio começou por explicar o porquê da escolha. O eurodeputado, disse o líder, foi escolhido por ter “gosto pelos assuntos europeus”, por ter uma “elevada bagagem cultural, intelectual e profissional”, pela “experiência política”, “pelo conhecimento dos assuntos europeus” e pelo “peso político” que tem em Bruxelas. E rematou que, por tudo isto, Paulo Rangel “não é dispensável deste cargo.”

Rio destacou a experiência em “política nacional e europeia” que Paulo Rangel tem e a seguir o candidato fez um discurso que terá agradado aqueles que querem ver um PSD mais acutilante nos ataques ao governo.

Paulo Rangel começou por acusar o Governo de se escudar com Bruxelas em decisões que toma. O candidato do PSD às próximas europeias diz que “é verdade que não há dinheiro para tudo” e que “há que fazer escolhas”, mas “foi o Governo Costa que fez as suas escolhas.” Do Serviço Nacional de Saúde aos incêndios, Rangel não poupou Costa: “Foi o PS que escolheu não investir no serviço nacional de saúde, não investir na proteção civil e na segurança das pessoas e dos bens; não apostar na mobilidade, nos transportes e nas infraestruturas”.

Este era, aliás, o mote para se dirigir ao alvo seguinte. Rangel não perdeu tempo a atacar aquele que será o seu principal adversário. Desde logo, levantou suspeitas de que Pedro Marques (esperado candidato do PS) anda a anunciar investimentos como ministro para promover a campanha como candidato europeu. E depois de levantar as suas suspeitas, exigiu a António Costa que as venha esclarecer. Para Rangel, “neste momento, subsiste a legítima suspeita de que houve o aproveitamento de um cargo ministerial para engendrar, lançar e promover um candidato”.

O candidato do PSD diz que Pedro Marques “é um candidato disfarçado de ministro” e em “campanha dissimulada” e que, por isso, António Costa “tem que esclarecer, quanto antes, se o Governo está a utilizar recursos públicos e aproveitar um cargo ministerial para promover um candidato“.

A Pedro Marques também imputou o facto de Portugal ter perdido fundos comunitários, denunciando que o Governo falhou “clamorosamente na execução” deste financiamento no momento em que era mais preciso. Paulo Rangel acusou o “ministro do Planeamento” de se contentar e conformar com “uma proposta da Comissão para as próximas perspetivas financeiras em que Portugal perde 7 por cento dos fundos de coesão, enquanto países bem mais ricos aumentam a sua dotação.” E ainda atirou: “Alguém tem de denunciar a passividade, o conformismo, a complacência com que o governo do PS e o seu ministro do planeamento estão a negociar os fundos de 2020-2027″.

Na sequência de ataques ao PS, Paulo Rangel disse que “o PSD é convictamente europeísta”, mas de um “europeísmo que é realista ao contrário do idealismo utópico e demagógico do PS”. O PSD, garante o eurodeputado, “não faz como Costa ou como Centeno, que dizem uma coisa em Lisboa e outra, bem diferente, em Bruxelas”.

Num tom de líder da oposição, Rangel desafiou o primeiro-ministro a dizer se  “é a favor ou contra o exército único europeu” e exorta o Governo a dizer se concorda com a medida que a comissão acaba de propor de que “em três domínios, se transite da regra da unanimidade para a regra da maioria qualificada”. O candidato às europeias tinha mais perguntas a fazer ao primeiro-ministro: “A pergunta que lanço a António Costa é, pois, a que segue: o PSD é contra o fim da unanimidade na política externa; e o Governo do PS? É contra ou favor da unanimidade e do direito de veto de Portugal na política externa europeia?

No fim do discurso, Paulo Rangel confirmou a fasquia de que as Europeias são para ganhar, mas sugeriu que o resultado é para repetir nas Legislativas: “Abrimos aqui caminho a que o PSD seja espaço em que os portugueses se reveem na União Europeia e em Portugal. Essa luta começa hoje e vai ser ganha ao contrário do que muitos imaginam“.

Rui Rio fez um enorme secretismo em torno desta escolha, embora o nome circulasse há meses nos bastidores do partido. E esticou a confirmação oficial até à última. Só às 15h00, três horas antes da conferência de imprensa, é que o gabinete de imprensa do PSD convocou os jornalistas para a sede nacional e mesmo assim não explicou que se tratava da apresentação do candidato. “Rui Rio fará uma declaração à imprensa a propósito das eleições europeias“, podia ler-se.

Paulo Rangel consegue o feito de ser escolhido para liderar a lista ao Parlamento Europeu por três líderes diferentes: depois de ter sido o candidato de Manuela Ferreira Leite, em 2009, voltou a ser a escolha de Pedro Passos Coelho em 2014, e é também a escolha de Rui Rio para a corrida de 2019.

A antiga ministra Maria da Graça Carvalho, a vice-presidente do PSD Isabel Meirelles, o presidente dos Autarcas Sociais Democratas, Álvaro Amaro — apontados nos últimos meses como possibilidades para integrar a lista — assistiram à conferência de imprensa de apresentação de Paulo Rangel. O facto de estarem na assistência não tem especial significado, uma vez que ambas são membros da CPN — que tinha acabado de reunir. O mesmo fizeram outros membros deste órgão, como o vice-presidente Salvador Malheiro, o líder parlamentar Fernando Negrão, o deputado Bruno Coimbra, ou a líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes.

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