O líder do PCP desafiou este sábado o Governo a não ceder à “chantagem” dos grupos económicos privados na questão da ADSE e a dar-lhes a resposta que “merecem”: o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Quanto à ADSE, daqui lançamos o desafio ao Governo para que não ceda à chantagem dos grupos económicos e lhes dê a resposta que merecem com o reforço do SNS e diversificação dos prestadores de serviços de saúde”, afirmou Jerónimo de Sousa, no encerramento da IX Assembleia da Organização Regional de Lisboa do Partido Comunista Português, em Lisboa.

Se no imediato, o Estado verificar que não consegue criar essa capacidade de resposta com a urgência exigível, o Governo pode “utilizar os mecanismos legais de requisição de serviços para que toda a capacidade na área da saúde se mantenha ao serviço dos utentes, mesmo que não seja essa a vontade dos grupos económicos”, defendeu Jerónimo de Sousa.

Para o secretário-geral do PCP, o Serviço Nacional de Saúde está a sofrer um dos maiores e mais “agressivos” ataques dos seus 39 anos de vida com um objetivo “claro de criar dificuldades ao funcionamento do SNS, desvalorizá-lo e fragilizá-lo perante os portugueses e, dessa forma, criar as condições para que o Estado se faça substituir pelos grupos privados na prestação de cuidados”.

Neste contexto, integra-se “a operação de chantagem lançada por alguns dos principais grupos privados da área da saúde, contra a ADSE”, defendeu Jerónimo de Sousa.

Segundo o líder do partido, a ADSE exigiu a privados que devolvessem milhões que receberam “indevidamente por cobranças a que não tinham direito” e a resposta foi: “Dois dos maiores grupos económicos da saúde ameaçam rasgar os contratos com a ADSE e recursar-se a prestar cuidados de saúde”.

Os grupos José de Mello Saúde (rede CUF), Luz Saúde e Lusíadas Saúde comunicaram esta semana que vão romper as convenções com a ADSE, o subsistema de saúde dos funcionários públicos, com efeito a partir de abril.

A regularização de faturas referentes a 2015 e 2016, em que a ADSE pede aos privados o pagamento de 38 milhões de euros, tem estado na base da contestação dos hospitais privados.