O Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), da Universidade de Sorbonne, admite vir a anular o mestrado de José Sócrates. Em causa estão as acusações que recaem sobre o ex-primeiro-ministro no âmbito da Operação Marquês. A informação foi confirmada ao Expresso (acesso condicionado) pela própria universidade parisiense: “Entendemos que esta acusação é séria o suficiente para considerarmos a retirada por fraude do diploma emitido. Estamos a aguardar que haja uma decisão do tribunal para tomarmos uma decisão”.

Confrontado com a informação, José Sócrates voltou a negar ao Expresso as acusações de que foi o professor universitário Diogo Farinho quem escreveu a sua tese a troco de 40 mil euros. “Ajudou-me, isso sim, e no essencial, nas tarefas de revisão, formatação e aparato técnico do texto e fez-me também sugestões de bibliografia e de ângulos de análise do tema, em particular na área do direito internacional que enquadra as questões da tortura”, explica o antigo Chefe de Governo ao semanário.

Um argumento que foi utilizado pelo próprio Diogo Farinho em 2016, quando questionado pelo Ministério Público (MP). O académico argumentou então que tinha feito apenas “o trabalho normal de uma revisão formal de uma tese” e, quando muito, “quase uma espécie de co-orientação”.

O pagamento dos 40 mil euros foi feito através da empresa RMF, de Rui Mão de Ferro, sócio de Carlos Santos Silva, com a justificação de ter prestado apoio jurídico a esta entidade. Um esquema que Farinho confirmou ao MP ter sido sugerido pelo próprio José Sócrates, reconhecendo que nunca chegou a prestar os serviços pelos quais alegadamente era pago.

Em 2016, o Observador confrontou a Science Po com os indícios de que Farinho era o autor da tese de José Sócrates. A faculdade francesa remeteu-se ao silêncio. O então reitor, Jean-Marie Donegani, confirmou apenas que o ex-primeiro-ministro tinha apresentado a tese mas nada disse sobre as suspeitas que recaíam sobre a falsificação da tese o ex-líder dos socialistas.