Um porta-voz do exército paquistanês afirmou esta quarta-feira que a força aérea do seu país abateu dois aviões de guerra indianos depois de estes terem ultrapassado a fronteira que divide os dois países — e que nos últimos tempos voltaram a reaquecer a disputa pela soberania total do território de Caxemira. Segundo o The Washington Post, um piloto indiano terá sido capturado. Entretanto, a autoridade aérea do Paquistão anunciou via Twitter que o espaço aéreo do país foi fechado aos voos comerciais. Este é o segundo dia em que se registam ataques dos dois países, causando mortes, e que têm sido alvo de versões contraditórias por parte dos governos indiano e paquistanês.

https://twitter.com/AirportPakistan/status/1100668226386649089?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1100668226386649089&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.dawn.com%2Fnews%2F1466348

O general Asif Ghafoor afirmou que as tropas paquistanesas capturaram o militar que pilotava as duas aeronaves que caíram em sítios distintos — um de cada lado da fronteira. Mas o porta-voz da força aérea da Índia, Anupam Banerjee, desmente-o alegando que o seu país não tem qualquer conhecimento desse suposto ataque. Só que Munir Ahmed Khan, uma alta patente da polícia indiana, contraria a posição de Banerjee, entretanto confirmada por outro polícia contactado pelo Washington Post, S.P. Pani. O agente alega que várias corporações de bombeiros foram vistas na zona onde supostamente caiu um dos aviões (na parte indiana de Caxemira). Testemunhas oculares acrescentam ainda que o exército disparou tiros para o ar de forma a afastar os locais do sítio do incidente.

A Índia já fez saber que não pretende deixar que a tensão entre os dois países continue a aumentar, afirmando estar a “agir com responsabilidade e moderação”. Esta tomada de posição foi assumida pouco depois de as autoridades paquistanesas terem alegado que seis civis foram mortos na região de Caxemira esta quarta-feira depois de um ataque com morteiros levado a cabo pela Índia.

O suposto ataque terá destruído várias casas de civis, havendo também relatos de que dezenas de pessoas ficaram feridas. De acordo com Mohammad Altaf, representante da polícia local, houve crianças entre as vítimas e quase todas eram da pequena vila de Kotli, em Caxemira.

Ataques e contra-ataques, ditos e não ditos

A recente tensão que se tem desenvolvido na zona fronteiriça de Caxemira despertou no passado dia 14 de fevereiro, depois de um ataque bombista (que foi reivindicado pela organização terrorista Jaish-e-Mohammed) ter morto 40 paramilitares indianos. Este terá sido um dos mais graves incidentes nos últimos 50 anos e desencadeou uma série de avanços, recuos e contradições de ambos os lados.

Na passada terça-feira, aviões da força aérea indiana fizeram um alegado raid em território paquistanês a campos de treino do tal grupo Jaish-e-Mohammed nas zonas de Balakot, Chakothi e Muzaffarabad — segundo a agência noticiosa indiana ANI — que terá morto mais de 350 pessoas. Segundo o The Guardian, o Paquistão apresenta uma versão diferente que defende não terem existido quaisquer baixas porque os caças foram confrontados, recuaram e foi já no percurso de regresso ao seu espaço aéreo que largaram quatro ou cinco bombas em descampados desocupados.

A par deste conflito armado parece estar a existir também uma verdadeira guerra de informação em que os dois lados se desdobram em ditos e desditos. Esta quarta-feira, por exemplo, houve relatos da mesma agência ANI de que um avião F-16 do exército paquistanês foi abatido junto da linha de cessar fogo que divide os dois exércitos, em Caxemira. O abate dos dois aviões indianos surge no seguimento deste episódio: a Índia pretendia ripostar à “invasão” do F-16 paquistanês e acabou por perder as aeronaves.