22 de junho de 1983. Emanuela Orlandi, filha de um funcionário do Vaticano, estava a sair de uma aula de música na Piazza Navona, em Roma, quando foi vista pela última vez, sem que, até aos dias de hoje, sejam conhecidas as causas do desaparecimento. Agora, o Vaticano pode estar disposto a abrir uma tumba que pode dar resposta ao caso, depois de uma carta anónima enviada à família ter apontado para um local onde Orlandi terá sido secretamente enterrada. “Olhe para onde o anjo está a apontar”, diz a carta com a suposta resolução do mistério.

O caso que gerou várias teorias da conspiração – desde casos de corrupção e fraude financeira mo Vaticano, a envolvimento da máfia e abusos sexuais -, pode agora ter reposta na sequência desta carta anónima enviada à família, segundo avança o Corriere della Sera. A indicação é a de que o corpo de Emanuela Orlandi estará enterrado num cemitério germânico – destinado a cadáveres da Áustria, da Alemanha e da Holanda.

“Olhe para onde o anjo está a apontar”, será a frase-chave. Em cima da tumba descrita está a estátua de um anjo de mármore cuja mão aponta para o chão. A família de Emanuela Orlandi já pediu ao Vaticano para examinar os registos relacionados com o local e para abrir a campa, para confirmar se os restos mortais de Emanuela foram lá enterrados.

A tumba em causa tem também uma inscrição dedicada a um príncipe alemão Gustavo von Hohenlohe, que foi feito arcebispo pelo Papa Pio IX, em 1857. Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, a campa terá sido já aberta no passado e o porta-voz do Vaticano já disse à família que está a estudar o pedido. 

Emanuela Orlandi desapareceu com 15 anos e era filha de um funcionário do Vaticano, sendo cidadã daquela cidade-estado que é a capital da Igreja Católica. O desaparecimento, nunca esclarecido, gerou várias teorias da conspiração.

Uma das primeiras diz que Orlandi foi sequestrada pela máfia para forçar a libertação do turco Mehmet Ali Agca, que tentou assassinar o Papa João Paulo II em 1981. Outra das teorias dá conta de que terá sido também sequestrada, mas como moeda de troca para recuperar um empréstimo feito ao Vaticano. Por fim, existe ainda uma terceira via que defende que Emanuela Orlandi terá sido raptada para integrar uma rede de abusos sexuais no Vaticano.

Em novembro do ano passado o caso voltou a reavivar-se quando foram descobertas ossadas junto à Embaixada do Vaticano em Roma. No entanto, depois de realizados os testes que deram negativo, o caso continua por resolver.