Uma mulher norte-americana — identificada nos documentos judiciais pelo nome falso Jane Doe — está a processar a Uber por negligência e falhas na proteção dos consumidores. O The Verge avança que Raul Vasquez violou Jane Doe em abril de 2018, durante uma viagem em Washington D.C.. O condutor confessou depois o crime, estando já a cumprir uma pena de prisão.

O processo de Jane Doe contra a Uber e Raul Vasquez pede 9 milhões de euros em compensações por danos físicos e emocionais. Jane Doe afirma que o serviço se publicita como uma alternativa de transporte segura, algo que considera não ser verdade. A acusação garante que a Uber falhou ao não avisar Jane Doe “dos perigos apresentados pelo serviço, particularmente para mulheres alcoolizadas ou intoxicadas”.

Em 2018, foram 103 os condutores da Uber acusados de assédio sexual só nos Estados Unidos da América, de acordo com os dados da CNN. Desses, 31 foram entretanto condenados.

Em junho de 2017 outra mulher dos EUA, desta vez em Kansas City, colocou a Uber em tribunal com uma queixa similar: a mulher teria sido violada por Yahkhahnahn Ammi, em janeiro de 2017, num caso cuja resolução legal se desconhece. O processo de 2017 contra a Uber afirmava que a empresa ignorara avisos anteriores em relação à conduta de Ammi. A empresa chegou a um acordo extra-judicial, pagando uma quantia não revelada à queixosa — esta é, aliás, a resolução habitual de processos deste tipo que envolvem a Uber, como descreve o Huffington Post.

As acusações de assédio sexual e violação na Uber não se limitam aos condutores da empresa. Em fevereiro de 2017 a engenheira da Uber Susan Flower acusou publicamente a empresa de trabalhar com base numa cultura profissional “tóxica” e “machista”, afirmando que chegara a ser ameaçada com despedimento por denunciar o assédio sexual de que fora vítima por parte de um administrador da empresa. A empresa lançou uma investigação interna em resposta que levou ao despedimento de 20 trabalhadores por assédio sexual.

O presidente da Uber, Travis Kalanick, demitiu-se em junho de 2017, depois de estar envolvido em várias polémicas e de ser considerado impulsionador da competição agressiva que se vivia na empresa. Antes, em fevereiro do mesmo ano, o vice-presidente sénior de engenharia Amit Singhal demitira-se por ter encoberto uma acusação de assédio sexual feita contra ele quando fora vice-presidente do Google Search, cargo que mantivera até 2016.