Felicity Huffman e mais 13 pessoas declararam-se culpadas no envolvimento num esquema de corrupção universitária, que permitia que os filhos de norte-americanos abastados entrassem em universidades de elite, incluindo Yale, Georgetown e Stanford, a troco de subornos milionários, confirmaram esta segunda-feira as autoridades norte-americanas. Entre os 14 suspeitos que assumiram a culpa, 13 são pais e um é treinador de ténis da Universidade do Texas.

Huffman foi formalmente acusada dos crimes de fraude e conspiração por ter pagado ao fundador de uma consultora de admissões universitárias, William “Rick” Singer, 15 mil dólares (cerca de 13 mil euros) disfarçados de caridade para aumentar a pontuação da filha no SAT, um exame realizado nos Estados Unidos que serve como critério de admissão nas universidades. Segundo as autoridades, a atriz de 56 anos chegou a ponderar aplicar o mesmo plano no caso da sua filha mais nova, mas decidiu não avançar.

Atrizes Lori Loughlin e Felicity Huffman suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção universitária

No total estão em causa mais de seis milhões de euros em subornos avançados por todos os suspeitos, numa investigação denominada “Operação Varsity Blues”, que demorou um ano a estar concluída e contou com a participação de cerca de duas dezenas de agentes do FBI.

Num comunicado emitido esta segunda-feira, a atriz de “Donas de Casa Desesperadas” disse estar “envergonhada” com toda a situação e garantiu que a sua filha não sabia de nada. “Quero pedir desculpa a todos os estudantes que trabalham arduamente todos os dias para entrar na universidade e aos seus pais, que fazem enormes sacrifícios para apoiar os seus filhos com honestidade”, referiu, citada pela Associated Press.

Do photoshop à contratação de pessoas externas: como funcionava o esquema?

Este é o maior escândalo de admissão em faculdades que o departamento de Justiça dos Estados Unidos já revelou, envolvendo universidades de elite de todo o país. As técnicas para os pais conseguirem colocar os seus filhos nas instituições mais prestigiadas eram variadas. Uma delas consistia na atribuição do estatuto de atleta universitário aos filhos de clientes de William Singer, mesmo quando estes nunca tinham praticado qualquer desporto ou tivessem qualquer aptidão desportiva.

Através de Photoshop, as próprias caras dos estudantes chegaram a ser adicionadas a corpos de atletas, de forma a criar imagens de perfis falsos e, assim, darem a entender uma condição que não era verdade. Os treinadores de Stanford, Georgetown, Wake Forest, Universidade do Sul da Califórnia e Universidade da Califórnia são suspeitos de fazerem parte deste esquema.

Além desta técnica, alguns pais chegaram ainda a contratar pessoas para se fazerem passar pelos próprios estudantes e realizarem os exames de admissão conseguindo, assim, aumentar a média dos alunos. Noutros casos, os professores responsáveis pela correção dos exames eram subornados para facilitarem na atribuição de notas.

Segundo o comunicado emitido pelas autoridades federais norte-americanas, 13 dos suspeitos de envolvimento neste equipa de corrupção universitária assumiram a culpa de terem pagado entre 13 mil e cerca de 354 mil euros para participarem no esquema de alteração do exame de admissão à faculdade dos seus filhos (o valor variou consoante o número de pessoas envolvidas). Já o treinador de atletismo assumiu a culpa de ter aceitado subornos para incluir os filhos de um dos clientes de Singer no programa de ténis da Universidade do Texas.

Os crimes dos quais estes suspeitos estão acusados podem levar a uma pena máxima de 20 anos de prisão, com três de liberdade condicional e uma multa que pode ir até aos 250 mil dólares (cerca de 220 mil euros).