Se nunca ouviu falar da Rivian, talvez não seja má ideia fixar este nome, pois esta é a companhia que os investidores apontam como a grande ameaça à Tesla no reino dos veículos eléctricos. A razão é simples: parecendo que surgiu do nada, sem fazer anúncios ou divulgar comunicados de imprensa, de repente, a Rivian apresentou não um mas dois modelos eléctricos, sendo qualquer um deles capaz de rivalizar com o que de melhor a Tesla tem para oferecer.

Mais do que isso, quando apresentou a pick-up R1T e o SUV R1S no Salão de Los Angeles, em final de Novembro do ano passado, a Rivian já tinha fábrica onde construí-los. Nem mais nem menos do que uma unidade fabril adquirida à Mitsubishi em 2017, o que lhe permitiu ser credível quando anunciou que iria iniciar a produção em 2020, para que as entregas arranquem no Outono do próximo ano.

Esta estratégia diverge, pela positiva, da adoptada por companhias como a Faraday Future, que se apresentou com muita pompa e circunstância, mas até agora (só) tem sido notícia pelas piores razões. Primeiro, com a imprensa estrangeira a assegurar que a demonstração de condução autónoma da marca durante a apresentação do FF91 foi um embuste, com o veículo a ser comandado à distância por a tecnologia não estar ainda desenvolvida. Depois, como não tinha fábrica, a Faraday Future precisava de dinheiro para construí-la. Sucede que as finanças da companhia vão de mal a pior, a ponto de a marca já ter vendido todos os activos que possuía e despedir grande parte dos empregados, com os que restam a trabalharem agora numas instalações alugadas. Ou seja, continuam na sede, mas a marca passou de proprietária a inquilina…

O histórico da Rivian é precisamente o oposto. E isso deixará mais confiantes os grandes investidores, entre os quais se encontra a Amazon que, em Fevereiro, aí “depositou” 700 milhões de dólares. Até agora, a companhia fundada em 2009 por Robert Scaringe, que tem apenas 36 anos, já reuniu mais de 1,5 mil milhões de euros de investidores, valor que ainda assim fica muito aquém da avaliação que o site Dealroom.com faz, estimando que o valor da Rivian se situará algures entre os 5.000 e os 7.000 milhões de dólares.

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Quando a Amazon se converteu no maior investidor da companhia, chegou-se a falar que a General Motors também deveria seguir esse exemplo. Mas, afinal, o fabricante norte-americano que acabou por dar o passo em frente foi a Ford, anunciando um investimento de 500 milhões de dólares na Rivian. Em causa, estará a plataforma modular que a startup norte-americana criou para servir de base aos seus veículos eléctricos, quer o R1S quer a R1T. Será esta última, a pick-up, que mais terá despertado o interesse da marca da oval que, no entanto, não confirmou oficialmente que veículo pretende montar sobre a arquitectura da Rivian. Mas como informou que o modelo se destinará ao mercado norte-americano e este é dos que mais pick-ups consome, é quase certo que a grande Ford, que foi, em tempos, o maior construtor mundial, se está a preparar para colocar o seu emblema numa pick-up eléctrica concebida de raiz por uma pequena startup…

Agências relatam que a Ford não só vai recorrer ao chassi, como também aos motores eléctricos e packs de baterias da Rivian, entregando-lhe inclusivamente o fabrico do veículo. Por isso, não se percebe muito bem o que quereria dizer o CEO da Ford, Jim Hackett, quando afirmou que “a Rivian poderá beneficiar da experiência e dos recursos industriais da Ford”… Ao injectar 500 milhões na startup, a oval azul acede a toda a tecnologia necessária para produzir um veículo eléctrico que, de outra forma, parece não conseguir fazer sozinha.

Não sabemos tudo e não fingimos que sabemos. Podemos aprender muito com a Rivian”, declarou por seu lado Joe Hinrichs, vice-presidente da Ford, que se junta ao conselho de administração da Rivian.

Joe Hinrich passa a ter lugar no conselho de administração da Rivian

Recorde-se que, antes de “casar” com a Rivian, a Ford andou a namorar outra potencial rival da Tesla, a Lucid Motors. Nenhuma destas relações coloca em causa a parceria com a Volkswagen, que a Ford pretende reforçar de modo a também ela poder usar a plataforma MEB, que os alemães desenvolveram especificamente para servir de base à nova geração de eléctricos das diferentes marcas do grupo.

Não obstante, a Ford fez questão de frisar que a parceria com a Rivian não retirou verbas aos 11 mil milhões de dólares que o fabricante norte-americano pretende desembolsar para garantir que, até 2022, a sua gama incluirá 40 modelos híbridos ou 100% eléctricos. Já a Rivian planeia lançar seis modelos como seu emblema (e tecnologia própria) até 2025.