Cresce a tensão entre Espanha e o regime de Nicolás Maduro. Depois de o Presidente da Venezuela ter ordenado a detenção do opositor Leopoldo López, o primeiro-ministro de Espanha respondeu de forma clara: não entrega López e afirma que o local onde o político está refugiado, a residência do embaixador espanhol na Venezuela, é inviolável. López diz que “nas próximas semanas chegará um governo de transição” e que este é um “processo irreversível“.

Segundo o El País, o Governo espanhol reiterou a sua posição através de um comunicado. O executivo de Pedro Sanchéz sublinha que confia nas autoridades venezuelanas para “respeitar a inviolabilidade da residência do embaixador espanhol”.

“Não tenho medo da ditadura”, afirmou, por sua vez, Leopoldo López, confiante de que “esta ditadura e usurpação vão acabar” e que irá haver um “governo de transição chegará nas próximas semanas”.

“A rotura começou no dia 30 de abril. E acreditem que a fissura que se abriu nesse dia é uma fissura que se vai transformar numa fenda e essa fenda vai fazer desabar o dique”, declarou López em declarações aos jornalistas à porta da embaixada espanhola em Caracas.

O opositor de Maduro revelou ainda que, “durante mais de três semanas”, se reuniu na sua residência, onde estava em prisão domiciliária, com militares, representantes das Forças Armadas e instituições policiais. “Assumimos um compromisso de contribuir para o fim da usurpação”, garantiu, acrescentando que nos próximos dias irá haver “novas movimentações militares”.

“Quem duvida que nas Forças Armadas há mulheres e homens que estão empenhados na liberdade?”, perguntou Leopoldo López, que se considera um “hóspede” da embaixada espanhola em Caracas.

“Vamos chegar a essa meta a que nos propusemos, que é a liberdade. Na Venezuela, falar de liberdade é falar de vida ou morte. Não tenho dúvidas que a liberdade é a primeira condição para tudo”, disse, ainda, López. O venezuelano agradece ao Governo espanhol pelo refúgio concedido.

Jesús Silva Fernández, embaixador espanhol na Venezuela, acredita que se possa encontrar uma solução “o mais depressa possível” com o Governo de Maduro mas deixou claro que “não será contemplada a entrega de Leopoldo López” às autoridades venezuelanas.