É um avanço ligeiro, mas a ameaça de demissão de António Costa caso a contagem integral do tempo de serviço dos professores fosse aprovada no Parlamento parece ter ajudado o PS a subir 0,8 pontos nas intenções de voto para as eleições legislativas de outubro e a aumentar a própria classificação do primeiro-ministro. Pelo menos é o que mostra uma sondagem realizada pela Aximage para o Correio da Manhã e para o Jornal de Negócios, divulgada esta segunda-feira.

Segundo esta sondagem, que inquiriu 601 pessoas entre 3 e 8 de maio, o PS está agora com 35,4% das intenções de voto para as legislativas. Também o PSD conseguiu apenas mais 0,3 pontos em relação a abril, alcançando 27,6% das intenções de voto.

A principal mudança, no entanto, não se deu tanto no cenário dos partidos políticos mas sim nos seus líderes. António Costa foi o único líder partidário que subiu a sua nota de avaliação, estando agora com uma classificação de 9,8 valores, mais 0,4 pontos do que em abril. No entanto, continua a estar longe do 12,6 que teve em maio do ano passado. A acrescentar a esta subida, os números indicam que a maior parte dos portugueses inquiridos (52,8%) prefere o secretário-geral do PS para primeiro-ministro em vez de Rui Rio, que conta com 29,5% das escolhas. O presidente do PSD viu, aliás, a sua classificação descer quase um valor, para 7,4.

Na lista dos líderes que desceram a sua nota está também Assunção Cristas, líder do CDS, que registou uma queda percentual de quase dois pontos, estando agora com uma nota de 6,3 valores (a pior classificação de sempre) e acompanhando a descida do CDS em 1,1 pontos nas intenções de voto (7,4%). Já o Bloco de Esquerda conta com 7,9% das intenções de voto, sendo que também Catarina Martins viu a sua nota baixar 0,6 valores, para 8,2. Por fim, o PCP manteve praticamente as intenções de voto em 7,4%, bem como Jerónimo de Sousa manteve a mesma avaliação.

Na semana passada, uma sondagem também da Aximage indicou que 49% da amostra de inquiridos consideram que António Costa fez bem ao ameaçar demitir-se. 44% dos que responderam consideram, por outro lado, que António Costa procedeu mal, enquanto os restantes 7% não responderam.

Depois de o Governo ter decidido devolver parte do tempo de serviço congelado aos professores (cerca de três anos), todos os grupos parlamentares (menos o PS) aprovaram na especialidade a contagem integral do tempo de serviço dos professores (num remanescente de 6,5 anos), sem definir prazos e formas de o fazer. O diploma, entretanto, foi votado sexta-feira e, com o volte face nas posições dos partidos, foi chumbado.