O pequeno Largo da Igreja, no Seixal, estava absolutamente apinhado esta noite para ouvir João Ferreira e Jerónimo de Sousa lançarem os últimos apelos ao voto antes do dia de reflexão. Do lado oposto ao palco, a torre da igreja, com o sino que à meia-noite indicará o fim do período oficial de campanha eleitoral — e o início da proibição de qualquer atividade de propaganda. Em palco, mais de uma dezena de dirigentes da coligação, entre os líderes partidários e os candidatos da coligação.

João Ferreira subiu ao palco às 22h57 e sabia que o relógio estava a contar: “Aqui o sino deve estar para tocar e fica já feito o desafio a cada um dos que aqui estão. O desafio é levar tantos amigos, vizinhos, familiares a votarem no domingo na CDU quantas as badaladas que o sino der.” Assim que o disse, tocou mesmo o sino da igreja paroquial do Seixal. Mas ainda eram as 23h, ainda havia uma hora para a festa comunista no Seixal.

João Ferreira usou vários desses minutos para lembrar as últimas duas semanas e para fazer listas. Lembrou as visitas às fábricas, ao comércio e às populações, os encontros com pescadores e com académicos e as propostas apresentadas. “Falámos com milhares de pessoas”, assegurou, antes de recordar às dezenas de pessoas que enchiam o largo os contributos do PCP e dos Verdes no condicionamento ao Governo socialista e a ação dos eurodeputados da CDU no Parlamento Europeu, e de as lembrar que a campanha da coligação foi “feita de propostas concretas”, sem repetir “estafados slogans de campanha eleitoral”. Sobre o orçamento comunitário, sobre o ambiente, sobre as alterações climáticas, sobre a agricultura, as pescas, a cultura e a investigação científica.

O discurso de encerramento de João Ferreira ficou também marcado pela repetição da resposta às críticas de António Costa. “Alguém veio dizer que éramos uma força de protesto. E é verdade. Não contem que nos calemos quando há razões para protestar. Mas somos muito mais do que isso. Somos uma força de construção e de proposta”, assegurou o cabeça-de-lista da coligação, antes de terminar com um último apelo ao voto na coligação.

Às 23h11 foi a vez de Jerónimo de Sousa subir ao palco para elogiar a campanha de João Ferreira e para assegurar — a três quartos de hora do fim da campanha — que “o resultado da CDU ainda está em construção”. A campanha, sublinhou Jerónimo, foi feita “sempre a pensar nos trabalhadores e no povo, no país e nos povos de outros países que a União Europeia tantas vezes maltrata”. “Mesmo nos debates que se realizaram na comunicação social” é preciso reconhecer “que o nosso camarada João Ferreira fez grandes intervenções”, destacou o secretário-geral do PCP. “Por isso merece o voto dos portugueses, particularmente daqueles que têm sido profundamente massacrados, seja pela política de direita, seja pelos ditames e imposições da União Europeia.”

“Não hesitem: vale a pena votar na CDU. A própria vida nacional demonstrou isso. Quando os portugueses estavam debaixo de ferro e fogo com a política do Governo anterior PSD/CDS. Quando a União Europeia enquanto o executivo anterior dizia esfola. Quando éramos confrontados com os pactos de agressão. Qual foi a força que esteve do lado dos trabalhadores, do povo e do país? Quando tudo parecia perdido, tanta era a força e a violência do impacto, que alguns começavam a duvidar, houve uma força que nunca desistiu, e que foi capaz pela luta e pelo voto de afastar o Governo PSD/CDS das nossas vida e da vida do país”, destacou Jerónimo de Sousa.

“Mas não nos limitámos a dar uma contribuição decisiva. Dissemos outra coisa importante. Que é preciso a reposição de rendimentos e direitos, encetar um processo em que se valorizasse os salários. Que existissem aumentos extraordinários. Nada está perdido para todo o sempre, mas nada está ganho. Existe uma força que defenderá sempre aquilo que foi alcançado e que se prepara para novas conquistas no plano dos salários e dos direitos dos trabalhadores. O mundo continuará depois do dia 26, bem sabemos. Outras batalhas se aproximam. E precisamos de uma força com mais votos”, concluiu Jerónimo de Sousa, meia-hora antes do toque do sino da igreja.