O telescópio espacial europeu Euclid, com novo lançamento previsto para 2022, vai estudar três regiões no lado escuro do Universo que equivalem a 200 vezes a área da Lua cheia e foram validadas por cientistas portugueses, foi esta segunda-feira anunciado.

A participação portuguesa na missão Euclid é coordenada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que, em comunicado, refere que Portugal está envolvido no planeamento de rastreios do céu com uma equipa de mais de 20 cientistas de várias instituições.

Os investigadores portugueses participaram na escolha e validação de três regiões escuras do céu para as observações do Euclid: uma fica no hemisfério celeste norte, na constelação do Dragão, e duas no hemisfério celeste sul, nas constelações do Relógio e da Fornalha.

As regiões situam-se perto dos polos da elíptica, “os dois pontos do céu mais afastados do Sol em qualquer momento do ano”, pelo que o telescópio poderá observar “durante praticamente todo o ano sem a interferência do Sol”.

O telescópio, que tem 1,2 metros de diâmetro, permitirá “o estudo da forma e da posição tridimensional de milhões de galáxias” e, com isso, os cientistas “esperam mapear a distribuição espacial da matéria escura”, que constituirá cerca de 23% do Universo, e “lançar luz sobre o passado, presente e futuro da misteriosa energia escura”, que corresponderá a 73% do Universo e, “inexplicavelmente, impele a [sua] expansão acelerada”.

O prazo de lançamento da missão da Agência Espacial Europeia (ESA) é 2022, depois de ter estado previsto para dezembro de 2020.

Segundo o comunicado do IA, o telescópio “irá observar mais de um terço do céu, mas 10% do tempo de observação será utilizado para analisar a fundo” as três regiões escuras. Cada uma delas “será visitada, no mínimo, 40 vezes”, com a expectativa de se “encontrar objetos extremamente ténues”, já que essas zonas contêm “o mínimo de luz de estrelas da Via Láctea, de poeiras do meio interestelar e de brilho de poeiras do Sistema Solar”.

A missão Euclid, que homenageia o matemático grego Euclides, foi proposta à ESA, em 2007, por um consórcio de investigadores liderado por Yannick Mellier, do Instituto de Astrofísica de Paris. Fazem parte do consórcio cerca de 1.500 cientistas de 14 países europeus, incluindo Portugal, dos Estados Unidos e Canadá.

Em 2012, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade pública que subsidia a investigação em Portugal, assinou um acordo com o consórcio Euclid.