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PS em busca de “maioria absolutamente inequívoca” (e uma irritação de Costa)

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Socialistas querem ir a votos com listas "tendencialmente paritárias" e em que seja considerada lealdade com a direção no mandato que agora termina. Ana Catarina Mendes reconheceu mérito a parceiros.

António Costa reuniu ontem a Comissão Nacional do PS para aprovar os critérios para a escolha de candidatos às legislativas

ANTONIO COTRIM/LUSA

“Absolutamente inequívoca”. Mais um passo a rondar o pedido de maioria absoluta para o PS nas próximas legislativas. Desta vez foi a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, que vai ser também a diretora de campanha de António Costa nas legislativas de 6 de outubro. Nessa campanha pretende pedir uma “maioria absolutamente inequívoca” para o PS que já validou os critérios para a elaboração das listas de candidatos a deputados. A proposta da direção foi aprovada por maioria (14 votos contra) na reunião da Comissão Nacional desta sexta-feira, onde Costa ainda levantou a voz com um adversário.

Já perto do final da reunião socialista, Ana Catarina Mendes disse aos jornalistas que o PS avança para as escolha dos seus candidatos com “critérios muito objetivos” de “se abrir à sociedade civil, a pessoas representativas de vários espectros”. Além disso, as listas terão de ser “tendencialmente paritárias”, ou seja, conseguirem 50% de representação de cada um dos géneros. Mas a regra que fica escrita é que, pelo menos, cumpram a lei da paridade: representação mínima de 40% de cada género.

Nos critérios gerais aprovados na reunião, num hotel de Lisboa, o PS definiu ainda que o líder do partido terá direito a escolher 30% do número total de eleitos em 2015 para integrarem as listas que ficam fechadas a 23 de julho. As federações distritais do partido indicarão a maioria dos nomes que as compõem. Já a escolha dos cabeças de lista fica também a cargo de António Costa.

O peso da lealdade durante o mandato e a irritação de Costa

Ficou também o conselho para que tenha sido tida em consideração a “capacidade de representação e de compromisso” com o grupo parlamentar dos deputados que terminam agora o mandato, no momento em que forem feitas as listas. Isto é, que a lealdade interna durante os quatro anos da legislatura tenha um peso na decisão de manter (ou não) um deputado como candidato. Os critérios gerais são claros na referência à importância da “dedicação no exercício do mandato, a capacidade de representação e o empenhamento demonstrado”. 

Já no que a votos diz respeito, a secretária-geral adjunta explicou que o objetivo é ter “o voto de confiança”, argumentando com a “responsabilidade de quem prometeu e cumpriu”.

Partimos para legislativas do muito bom que já fizemos e do muito que queremos fazer para melhorar o combate à corrupção, maior transparência na vida política e na melhoria absolutamente essencial dos serviços públicos”.

Não seguiu as críticas de Carlos César aos parceiros de governação, PCP e Bloco de Esquerda, nas Jornadas parlamentares do PS no início da semana. Ana Catarina Mendes reconheceu a importância dos “parceiros que, ao longo destes quatro anos, apoiaram soluções de Governo e os Orçamentos do Estado que contribuíram também para a credibilidade” do país. Ainda assim guardou a fatia maior deste crédito para o seu partido, sublinhando que “foi o PS o maior partido nesta solução de governo. Sem ele não seria possível este conjunto de resultados”.

O dirigente Daniel Adrião fez a intervenção que tem feito nas últimas reuniões socialistas para pedir eleições primárias para escolher quem deve apresentar-se pelo partido às legislativas, abrir o processo de escolha dos candidatos a deputados para além dos órgãos internos do partido. Mas a proposta foi chumbada, tendo apenas 19 votos favoráveis, depois de Adrião ter atacado fortemente a direção. António Costa respondeu-lhe quase no final da reunião para recusar lições de transparência, sublinhando o combate a corrupção que disse ser legado do PS. Costa deu mesmo exemplos, segundo apurou o Observador, com a questão da separação de poderes entre Ministérios Público e o poder executivo, a criação do DCIAP e de outras estruturas de investigação judicial e ainda exemplos de instrumentos legais, criados no seu mandato como ministro da Justiça no combate à corrupção. A reunião terminou muito perto da meia-noite, pouco mais de duas horas depois de ter começado.

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