O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, agradeceu esta terça-feira, em Lisboa, a resposta pronta de Portugal à população moçambicana afetada pelos ciclones Idai e Kenneth, sublinhando que sem essa ajuda haveria muitas mais vítimas a lamentar.

“Vim mandatado pelos moçambicanos por causa do movimento que Portugal liderou quando sofremos em março com o ciclone Idai. Quero agradecer ao povo português porque com aquilo que aconteceu salvaram-se vidas. Podíamos perder muito mais vidas do que as seis centenas que perdemos”, disse Filipe Nyusi.

Filipe Nyusi, que iniciou esta terça-feira uma visita de Estado de quatro dias a Portugal, falava no Palácio de Belém após um encontro com o homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando que foi do chefe de Estado português a primeira chamada após a tragédia que afetou a cidade da Beira.

Numa declaração sem perguntas, o Presidente de Moçambique sublinhou também a importância da primeira resposta de militares, pessoal médico e jornalistas portugueses, considerando que o impacto da informação para o mundo “foi extremamente grande” e provocou “uma explosão” de apoios” ao país. “Quero render homenagem ao povo português por causa deste calor. Moçambique não vai nunca esquecer esse apoio. Estou aqui em nome de todos os 28 milhões de moçambicanos e em nome do meu Governo agradecer e reconhecer esse apoio”, disse.

O Presidente moçambicano agradeceu ainda a participação de Portugal na conferência de doadores, realizada em Moçambique, lembrando que a reconstrução total das zonas afetadas após a passagem dos dois ciclones está avaliada em 3,2 mil milhões de dólares (2,83 mil milhões de euros).

O primeiro dia da visita prossegue com uma deslocação à Assembleia da República, onde será recebido pelo presidente do Parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, e termina com um jantar oficial no Palácio da Ajuda.

Na quarta-feira, o Presidente moçambicano e o primeiro-ministro português, António Costa, intervêm na abertura do Fórum de Negócios Portugal/Moçambique, no hotel Intercontinental, em Lisboa, seguindo depois para o Palácio Foz, onde decorre a IV Cimeira Portugal-Moçambique, estando prevista a assinatura de vários acordos entre os dois países.

No âmbito da visita de Estado, Filipe Nyusi, que se faz acompanhar por uma delegação com vários ministros, deputados e empresários, participa com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, no Fórum Euro-África, organizado pelo Conselho da Diáspora, em Cascais, “num painel dedicado ao tema da reconstrução, no contexto da catástrofe dos ciclones Idai e Kenneth”.

A visita de Estado termina na sexta-feira em Viseu.

Portugal acompanha com empenho procura de paz duradoura em Moçambique

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda perante o Presidente moçambicano que Portugal acompanha com empenho a procura de uma paz duradoura em Moçambique, sob a sua liderança.

“Acompanhamos com empenho a preocupação de construção de uma paz duradoura e sustentada, sob a liderança de vossa excelência”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à comunicação social, no Palácio de Belém.

Com o seu homólogo moçambicano ao seu lado, o Presidente português acrescentou: “Por isso, acompanhamos o processo eleitoral e a preocupação da construção de uma estabilidade política, económica e social na pátria irmã. Por isso, acompanhamos as decisões económicas a pensar no desenvolvimento, também ele sustentado, abrindo para a justiça social”.

Sobre as relações luso-moçambicanas, o chefe de Estado português defendeu que há que “reforçar os laços bilaterais, em todos os domínios” e, no plano da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), insistiu que “a mobilidade das pessoas é muito importante”.

Marcelo Rebelo de Sousa falou também sobre os ciclones tropicais Idai e Keneth que recentemente atingiram Moçambique, referindo que motivaram solidariedade de “todo o Portugal”, incluindo as Forças Armadas, Proteção Civil, instituições de solidariedade social e empresas. “E sabe da nossa disponibilidade para a tarefa da reconstrução”, realçou, dirigindo-se para Nyusi.