De camisola, camisa, a mascar pastilha na primeira cadeira do banco, com olhar sereno. Iker Casillas não fazia parte das opções do FC Porto para o primeiro particular à porta aberta dos dragões na presente pré-temporada mas nem por isso a imprensa espanhola deixou de se deslocar ao Algarve. Aliás, até pode ter sido essa a razão – “enquanto recupera”, o que não fecha por completo a porta a um regresso às balizas, o ex-número 1 “vai fazer parte do staff diretivo da equipa de futebol para assegurar a ligação entre os jogadores, o treinador e a direção, podendo o âmbito da sua ação ser alargado a outras funções dentro do clube”.

“Vou fazer algo diferente do que habitualmente fazia, que era estar no terreno de jogo. Vou tentar fazer a ligação entre a equipa e o clube. O mister [Sérgio Conceição] falou comigo na época passada quando aconteceu a minha situação e disse-me que queria que ficasse com eles, perto dos jogadores, perto dos mais novos, porque iriam existir várias mudanças. Vou tentar fazer o possível para ajudar os meus companheiros”, comentou Casillas ao site do clube, uma primeira reação à notícia que marcou a véspera da partida com o Fulham, a primeira que os azuis e brancos irão realizar no Algarve depois de três triunfos à porta fechada contra Águeda (6-0), Varzim (4-0) e Penafiel (1-0). Ponto comum: nenhum golo sofrido até ao momento.

Sem Casillas, o FC Porto continua à procura de um guarda-redes que possa assumir de forma inequívoca a baliza. Alguns nomes que foram sendo falados desde a final da Taça de Portugal, último encontro oficial da derradeira temporada: Keylor Navas (Real Madrid), Anthony Lopes (Ol. Lyon), Buffon (PSG), Tomas Koubek (Rennes), Muhammed Sengezer (Bursaspor), Dominik Greif (Slovan Bratislav), Julian Pollersbeck (Hamburgo), Martin Dúbravka (Newcastle), Gerónimo Rulli (Real Sociedad) ou Kevin Trapp, do PSG, que parece agora ser a opção prioritária dos dragões. Reforços para a posição, ainda nenhum. E voltou a ser o jovem Diogo Costa a ocupar a posição, com Vaná a começar no banco. De baliza fechada, sem sofrer golos.

O plantel do FC Porto ainda não está fechado e entre as prioridades de mercado está um guarda-redes. A seguir, e no meio da revolução em curso, é uma questão de ir trocando peças como deverá acontecer no meio-campo com a saída esta segunda-feira de Óliver Torres para o Sevilha, já depois de Herrera ter assinado a custo zero pelo Atl. Madrid. São, ainda assim, opções para um modelo de jogo que não deverá fugir muito ao que Sérgio Conceição implementou desde que chegou ao Dragão há dois anos – sendo que a nota positiva da primeira parte foi a forma como Nakajima se foi conseguindo ligar com Corona, Otávio e Soares, com muita velocidade e trocas de posições que conseguiu ir desposicionando o conjunto inglês.

O Fulham, que na temporada passada desceu ao segundo escalão do futebol inglês, ainda tem nomes de peso como o avançado Mitrovic, que teve a maior ameaça ainda que sem muito perigo aos 29′ quando conseguiu dominar na área antes de atirar fraco para Diogo Costa. No entanto, o conjunto britânico sentiu sempre grandes dificuldades perante as zonas de pressão mais altas que os azuis e brancos tentavam fazer, com a nuance de haver quase igualdade numérica sempre que a bola passava essas linhas. Oportunidades só mesmo para o FC Porto. De longe, por Danilo Pereira (11′). Após combinação à entrada da área, por Nakajima (27′). No seguimento de uma transição com grande passe de Sérgio Oliveira, por Soares (41′). Depois de um livre lateral, de novo por Soares e desta feita a acertar mesmo na trave (45+1′). Pelo meio, Otávio inaugurou o marcador.

Depois de um bom trabalho de Soares na área com o remate defendido com o pé por Marcus Bettinelli, o médio brasileiro que foi variando de corredor com Corona e Nakajima teve um pontapé artístico no ar de primeira para marcar, carimbando o resultado que se ajustava mais ao que se tinha passado no primeiro tempo. Depois, Kamará ainda teve uma chance flagrante logo a abrir o segundo tempo após erro de Alex Telles que passou a rasar o poste (46′), Soares voltou a ficar perto do golo na área (59′) mas as substituições foram quebrando o ritmo da partida numa altura em que nem o vento parecia ajudar os dois conjuntos.

Com Saravia, Marcano (que fez dupla com Pepe como se nunca tivesse saído para a Roma) e Nakajima de início, bem como outros nomes fortes para a nova temporada como Zé Luís ou Luís Díaz a serem lançados na segunda parte, o FC Porto mostrou neste primeiro teste à porta aberta que existe um novo carro em construção, com figuras diferentes mas o mesmo caminho em termos de projeto futebolístico. No final, valeu a bicicleta de Otávio. E o quarto encontro nesta fase de testes em que a equipa azul e branca não sofreu qualquer golo quando está ainda para chegar um novo guarda-redes para ocupar a vaga de Casillas, que voltou a ser uma das figuras mais aplaudidas e incentivadas mesmo estando a ver o encontro num dos camarotes em Albufeira.