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Burla

Espanha. Polícia prende mãe e filha que inventaram mortes e doenças e arrecadaram meio milhão de euros em donativos

A polícia espanhola acusa mãe e filha de burlarem várias pessoas, conseguindo 500 mil euros, inventando doenças, infortúnios e mortes. O esquema, que usou a televisão, durou cinco anos.

LUSA

Há cinco anos Loli, esposa e mãe, foi a um conhecido programa de televisão espanhola pedir ajuda financeira para poder fazer face aos custos do tratamento que o marido — e pai —, Jorge, precisava. A história, triste como muitas outras que marcam a vida de algumas pessoas, era a de que Jorge tinha sofrido um acidente e estava completamente dependente. Loli precisava de ajuda para tratar do marido, já que tinha deixado de trabalhar para cuidar dele. A família recebia mil euros de subsídio de invalidez e 300 euros por o homem estar dependente, sendo que os tratamentos custavam 950 euros por mês, demasiado para que conseguissem suportar.

Além dos custos associados à recuperação de Jorge, era necessário um andarilho, avaliado em 5.000 euros. Conseguiram os 5.000 euros para o andarilho e mais 22.800 que seriam suficientes para pagar dois anos de tratamento ao homem. Mas era tudo um esquema. De acordo com o ABC, Loli e a filha mais velha, agora com 19 anos, foram detidas há umas semanas, na casa onde vivem, perto de Huelva, pela Polícia Nacional de Madrid.

A investigação às duas mulheres teve início numa denúncia feita em março, por uma das vítimas da burla. À primeira denúncia, a polícia somou várias, todas elas de pessoas que haviam doado dinheiro que permitiu a Loli e à filha arrecadar centenas de milhares de euros.

De acordo com os investigadores, um ano depois de aparecerem na televisão, a família entrou novamente em contacto com os benfeitores que tinham dado dinheiro, não para agradecer, mas para lhes pedir mais. E era aí que a história se adensava. À história trágica do acidente e da difícil recuperação seguiam-se mais tragédias no seio familiar.

As histórias macabras

A imaginação da família não se ficou pela história do acidente e na necessidade de recuperação. Mortes (onde se incluía a de Jorge, que tinha sofrido o acidente), problemas com drogas, um bebé morto depois de um abuso sexual e mesmo problemas relacionados com casos de negligência médica. Tudo servia para pedir mais dinheiro a quem tinha sido generoso ao primeiro apelo, mas tal como no primeiro momento, era tudo falso. Em alguns casos, usavam um esquema que envolvia casos a decorrer em tribunal, para justificar que se tratava apenas de um empréstimo e que devolveriam o dinheiro logo que fosse possível. A explicação de todo o esquema foi feita pelo encarregado da investigação, Miguel Sanchéz.

De um único benfeitor receberam 375 mil euros, nos cinco anos que decorreu o esquema. Os restantes 105 mil foram doados por cerca de 70 pessoas. Para dar mais força às histórias, colocaram os benfeitores em contacto com falsos advogados, médicos ou juízes para conseguirem construir relações de amizade e minimizar as dúvidas que surgiam.

No final da investigação, mãe e filha mais velha foram detidas e mais quatro pessoas investigadas. Não só era um esquema montado por Loli, como envolvia toda a família que, de uma forma mais ou menos direta, se envolveu no esquema através de, por exemplo, contactos telefónicas ou sendo titulares das contas bancárias que recebiam as transferências.

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