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Israel

“Crime de guerra”, “agressão” e “mensagem ilegal”: as reações do mundo árabe à promessa de Netanyahu de anexar parte da Cisjordânia

Benjamin Netanyahu prometeu anexar parte da Cisjordânia se for reeleito. Mundo árabe não gostou: nações do Médio Oriente dizem que violência vai aumentar e pedem reunião de urgência.

“Hoje anuncio a minha intenção de aplicar, num futuro governo, a soberania de Israel sobre o vale do Jordão e a parte norte do mar Morto”, anunciou o primeiro-ministro na terça-feira

RONEN ZVULUN / POOL/EPA

Autor
  • Rui Casanova

Apenas algumas horas depois de o primeiro-ministro israelita prometer anexar parte da Cisjordânia se for reeleito, as críticas de países como Arábia Saudita, Jordânia e Turquia multiplicaram-se. E as reações são unânimes: várias nações do Médio Oriente falam em “crime de guerra”, “agressão” e “violência”. “Oportunidade histórica e única”, defendeu por sua vez Benjamin Netanyahu na terça-feira, diante da bandeira israelita.

Mas o mundo árabe não vê a aplicação da soberania do Estado judaico sobre o Vale do Jordão e o norte do Mar Morto da mesma forma. “(Netanyahu) está a destruir todas as hipóteses de paz”, afirmou a dirigente palestiniana Hanan Ashrawi, citada pela BBC. Já o diplomata Saeb Erekat, também do Estado da Palestina, descreveu a situação com um “crime de guerra”, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Ayman Safadi, disse que a medida vai “incentivar a violência em toda aquela região”.

O vale do Jordão representa cerca de 30% da Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967. O anúncio do chefe de governo israelita surge uma semana antes das eleições do país, onde está previsto um escrutínio muito disputado. De acordo com as sondagens, Netanyahu, que faz campanha à direita pelo Likud e tenta atrair os colonos favoráveis à anexação da Cisjordânia, está praticamente lado a lado com o seu rival do partido centrista Azul e Branco, o antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Benny Gantz.

E as críticas continuam. Mevlut Cavusoglu, ministro dos Negócios Estrangeiros turco, fala em “racismo” e diz que o primeiro-ministro israelita está a aproveitar as eleições para passar “todo o tipo de mensagens ilegais, horríveis e agressivas”. A Liga Árabe, por sua vez, defende que o plano viola a lei internacional e que vai funcionar com um “torpedo” contra os alicerces da paz. A Arábia Saudita também se junta ao coro de críticas e pede uma reunião de emergência com os ministros dos 57 Estados-membros da Organização da Cooperação Islâmica.

Benjamin Netanyahu garantiu ainda que plano preparado pelos Estados Unidos para um acordo de paz entre israelitas e palestinianos será apresentado dois dias depois da votação.

À semelhança da última campanha, Netanyahu tem destacado as suas relações privilegiadas com dirigentes mundiais como os presidentes norte-americano, Donald Trump, ou russo, Vladimir Putin, apresentando-se como alguém com um estatuto internacional sem paralelo.

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