O papel das algas marinhas na redução das emissões de metano, através da sua aplicação na alimentação de animais, é um dos assuntos tratados num livro de cientistas de diversos países, que é lançado na sexta-feira.

A importância das algas marinhas na redução das emissões de metano, através da sua “aplicação na alimentação de animais, contribuindo para a resolução de um dos principais problemas” relacionados com a produção de leite e de carne bovina, é um dos temas abordados no livro “Seaweeds as Plant Fertilizer, Agricultural Biostimulants and Animal Fodder”, anunciou esta quinta-feira a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O metano é um “gás de efeito estufa muito mais perigoso do que o CO2 [dióxido de carbono]”, salienta a FCTUC, numa nota enviada esta quinta-feira à agência Lusa.

De autoria de “cientistas de várias nacionalidades”, o livro “Algas como Fertilizantes, Bioestimulantes Agrícolas e Forragens para Animais” (numa tradução livre), “vai para as bancas amanhã [sexta-feira], dia 25 de outubro”.

A obra, publicada pela CRC Press do Taylor and Francis Group (EUA), surge no âmbito do INTERREG/NASPA (Natural fungicides against air & soil borne pathogens in the Atlantic Area), projeto “focado em criar alternativas naturais aos fertilizantes e agroquímicos sintéticos usados na agricultura atualmente”.

Ao longo de 12 capítulos, o livro explora “a utilização de algas e extratos de algas como estimulantes de uso agrícola, reguladores de crescimento de plantas agrícolas extraídos de algas e protetores das plantas contra pragas“, como fungos e insetos, relata Leonel Pereira, docente da FCTUC e um dos coordenadores da edição e coautor de um capítulo.

“O uso de algas na alimentação de animais, nomeadamente na alimentação de gado bovino para a redução das emissões de metano”, e na “produção de rações para a aquacultura de peixes, entre outras aplicações”, é igualmente tratado na obra, refere ainda, citado pela FCTUC, o especialista em algas marinhas e investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE).

Embora contenha fundamentos científicos, a obra “está escrita e ilustrada de modo a que qualquer público a possa ler, inclusivamente jovens agricultores de todo o mundo”, nota Leonel Pereira.

“Dependendo da espécie, do habitat e de condições como temperatura da água, intensidade da luz e concentração de nutrientes na água”, as algas possuem, sublinha a FCTUC, “ótimas características para fins muito diversos”.