A chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, condenou esta segunda-feira a “extensa violência” que marcou o dia de greve na cidade, realçando que esta “não resolverá nada” nem fará o governo satisfazer aos “apelos políticos” dos manifestantes.

Lam deu uma conferência de imprensa após os incidentes graves desta segunda-feira, nomeadamente o de um polícia que usou munição real contra um jovem ou o de um homem que enfrentou um manifestante, que o incendiou, estando ambos em estado grave.

“A violência não resolve problemas e apenas leva a mais violência. Se alguém ainda tem a ilusão de que uma violência intensificada vai gerar pressão sobre o governo para satisfazer as exigências políticas, digo aqui e agora claramente que isso não acontecerá”, salientou Carrie Lam.

“As pessoas não podem ir trabalhar, estudar ou andar na rua. Não vamos parar de procurar maneiras de acabar com a violência, essa é a nossa prioridade agora”, acrescentou.

“Peço a todos que mantenham a calma”, afirmou a chefe do Executivo, que instou também o povo de Hong Kong a “ficar de fora” porque, caso contrário, “as suas vidas podem correr perigo”.

Pouco antes das 8h (meia-noite em Lisboa) foi publicado na rede social Twitter um vídeo no qual um polícia de trânsito é visto a atirar três tiros de curta distância em dois jovens vestidos de preto – uma cor associada aos protestos pró-democracia – na área residencial de Sai Wan Ho, onde um grupo de manifestantes estava a bloquear a circulação automóvel.

Segundo Lam, o agente que abriu fogo fê-lo “numa operação para aplicar a lei” e acrescentou que “a polícia está a enfrentar táticas cada vez mais extremas” por parte dos manifestantes.

Esta manhã, um homem ficou em estado crítico, depois de ter sido regado com um líquido inflamável e incendiado, durante uma discussão em Hong Kong.

A polícia confirmou já o conteúdo de um vídeo publicado nas redes sociais que dá conta de uma discussão numa ponte pedonal em Ma On Shan, pouco antes das 13h (7h em Lisboa).

Carrie Lam considerou este incidente como “malicioso” e “desumano”, afirmando que “rompe a paz e a lei” e que “deve ser condenado”.

A greve geral foi convocada esta segunda-feira nas redes sociais após a morte na sexta-feira de um estudante universitário de 22 anos que caiu de um parque de estacionamento e sofreu ferimentos cerebrais graves em circunstâncias desconhecidas durante um protesto em 3 de novembro.

Os manifestantes culpam a polícia, que já negou categoricamente qualquer responsabilidade na morte do estudante.

O caos continuou a crescer esta manhã na ex-colónia britânica, com a greve a causar constrangimentos no trânsito em diferentes partes da cidade na hora de ponta.

Inúmeros elementos das forças de segurança, incluindo a polícia antimotim, foram mobilizados em diferentes distritos.