Meio ano após a Conferência Episcopal Portuguesa ter reunido em Fátima para adotar as recomendações do Papa Francisco, contra os abusos sexuais na Igreja, ainda só seis das 20 dioceses portuguesas terão dado o primeiro passo: criar uma comissão multidisciplinar para receber, analisar e encaminhar as queixas.

Os números foram obtidos pelo Jornal de Notícias que, na edição desta quarta-feira, avança que nenhuma das comissões já criadas recebeu até à data qualquer denúncia.  Antes da Conferência, as dioceses do Porto, Lamego, Santarém e Funchal — nestas duas últimas houve já registo de casos que chegaram à barra do tribunal — mostraram alguma resistência na criação deste órgão. Mas depois da reunião com os seus pares e de um decreto papal ficou estabelecido que todas as dioceses tinham até 1 de junho de 2020 para o fazer.

Mas se houve resistentes, houve também quem se antecipasse, como foi o caso da diocese de Lisboa. O bispo D. Manuel Clemente avançou logo em março, um mês depois da cimeira inédita no Vaticano, com a concretização de uma das recomendações dali saída. E criou uma comissão liderada pelo bispo auxiliar D. Américo Aguiar, e composta por uma lista de nomes da sociedade civil, entre eles um ex-Procurador-Geral da República, um ex-Diretor Nacional da PSP e outro da PJ, além de psicólogos. Ao JN não foi fornecida informação se já tinham recebido alguma queixa.

As dioceses de Évora e Santarém seguiram o exemplo e têm comissões desde julho, já as de Bragança-Miranda e do Funchal implementaram em setembro. No Funchal, recentemente a diocese recebeu uma alegada carta de um padre que foi investigado em dois processos-crime e que é agora alvo de um terceiro e que se encontra em parte incerta. Nessa carta o padre Anastácio pedia para abandonar o sacerdócio. O Porto criou em novembro, denominando-a de Comissão para o Cuidado dos Frágeis.

A Conferência Episcopal Portuguesa, pela voz do seu porta-voz, não está para já preocupada com estes números, já que o prazo ainda não acabou.