Milhares de pessoas são esperadas esta segunda-feira nas ruas da Libéria, em protestos contra o Presidente do país, George Weah, cuja administração é acusada de “má governação”.

Segundo a imprensa local, a intenção de realizar a manifestação foi anunciada na semana passada, após uma reunião entre o Governo e o Conselho dos Patriotas (COP, em inglês) – grupo liderado por Henry Costa, feroz crítico de Weah.

De acordo com o diário liberiano Front Page Africa, o COP assinalou que o protesto de segunda-feira é necessário devido “à rígida postura do Governo”, que não implementou as recomendações apresentadas em junho por este grupo.

Mo Ali, um dos responsáveis da COP presente na reunião, referiu ao mesmo jornal que a carta enviada ao Ministério da Justiça para a realização do protesto não apontava que esta fosse uma manifestação para que Weah se demitisse. “A comunicação feita ao Ministério da Justiça não disse que esta fosse uma campanha para que Weah se afastasse. Mas, não há nenhuma traição em pedir ao Presidente que se demita. Só se torna traição quando alguém disser “eu vou derrubar o Governo””, disse Ali.

Um outro grupo, o Conselho Independente dos Patriotas (ICOP, em inglês), considerou que o protesto organizado pelo COP pretende minar a paz e a estabilidade na Libéria, tendo marcado, para a mesma data, um “contraprotesto pacífico”.

A embaixada dos Estados Unidos da América em Monróvia alertou, no dia 26, os cidadãos para a possibilidade destes protestos, admitindo que é possível uma forte presença policial e o corte de estradas.

Nesse sentido, a representação diplomática norte-americana na Libéria aconselhou os cidadãos a evitarem as áreas de protesto, a agirem com cautela, a acompanharem a comunicação social local e a que se mantenham discretos.

Em outubro, as autoridades liberianas encerraram a estação de rádio de Henry Costa, tendo também dispersado os simpatizantes da emissora com gás lacrimogéneo. O tribunal que emitiu a ordem de encerramento acusou a estação Roots FM de incitar à violência e de retirar dinheiro aos liberianos, assim como de efetuar ameaças verbais durante as suas emissões.

George Weah, antiga glória do futebol mundial, chegou à liderança do país em janeiro de 2018 e desde então tem sido alvo de críticas. Uma das principais críticas tem sido a forma como a economia do país tem sido tratada, que levou a uma desvalorização da moeda.